
O fazedor de labirintos, peça de Joaquim Branco, encenada no Colégio Cataguases, em 09.09.1989, em homenagem ao escritor Jorge Luis Borges, falecido am 1986.
Desenho de Pedro Marcos.

ESTE MOMENTO TEM NOME
Francisco Marcelo Cabral
Este momento tem nome: êxtase.
A luz dura do sol no teu olho cerrado
o zumbido de insetos delicados,
o ácido sal da vida,
o pulso e o ritmo ofegante do ar que te penetra.
Submerges nesta fresta do tempo
e sentes o universo tocando o teu ser,
tão íntimo que o podes separar em fruto e semente
tão sem limites em suas onze membranas
que nele tudo cabe inumeravelmente
tão diversamente o mesmo que não te contém e contém.
Não estás morrendo, sossega.
Apenas navegas em estilhaços
Como a estrela que explode na constelação do Centauro.





A HORA DO MESTRE
Joaquim Branco*
Infelizmente, por uma dessas questões do destino, nunca fui aluno do professor Antonio Candido. Ele lecionou teoria da literatura por muitos anos na Universidade de São Paulo e hoje, aposentado, dedica-se a artigos e livros e a palestras em congressos e eventos literários.
Mas conheço grande parte de sua obra, onde aprendi lições fundamentais com a inteligência, o talento e principalmente a simplicidade objetiva de seus textos teóricos e críticos.
Pelo Correio e de surpresa, chegou-me, porém, no final de 2007, por iniciativa de um amigo (Ronaldo Cagiano), um verdadeiro presente de Natal e fim-de-ano: o Estudo analítico do poema, que nada mais é do que um curso ministrado por Candido em 1963 para uma turma de Letras da USP, e, na época, mimeografado por alguns professores. A Editora Humanitas recentemente o editou.
Imaginem a oportunidade que tive de ‘assistir’ a algumas de suas aulas e a preciosidade, que, de agora em diante, está ao alcance de todos.
Candido inicia suas considerações pelos conceitos de poesia e poema, poesia e literatura e apresenta o programa do curso. Passa em seguida às noções de análise e interpretação do poema e outros itens.
Há, no livro, outro capítulo interessantísssimo sobre os fundamentos do poema, em que penetra na sonoridade e no ritmo com rara propriedade, e também no metro e no verso, baseando suas lições em conceituações próprias, nas de outros teóricos, e em clássicos, românticos e modernos como Camões, Gonçalves Dias, Bandeira e outros.
O autor reserva sua última intervenção para a natureza da metáfora, introduzindo teorias de Vico, passando por Freud e Jung e chegando a Bachelard.
Com este pequeno volume de 160 páginas, Antonio Candido nos proporciona, no mínimo, uma bela viagem, na qual quem sai premiado, por momentos de sensibilidade e argúcia poética, é uma solitária e afortunada figura, à qual Borges constantemente gostava de se referir: o leitor.
*Professor das Faculdades Integradas de Cataguases; doutor em literatura pela UERJ;
pós-doutorando em ciência da literatura pela UFRJ.
joaquimbranco.blogspot.com
www.joaquimbranco.cjb.net

OSWALDO ABRITTA (1908-1947)
COLÉGIO CATAGUASES - Antigo Ginásio Municipal de Cataguases, num painel de fotos da formatura de 1945, com formandos, professores e diretores. Em cima: Francisco Inácio Peixoto, José Silva Gradim, Manuel das Neves; Professores: Lysis Brandão da Rocha, Pierre Teotônio da Silva, Antônio Amaro, Martins Mendes e Ângelo Rocha; no meio, o inspetor Abílio Novais; os demais são formandos de 1945 (ginásio). (Foto fornecida pelo poeta-aluno Francisco Marcelo Cabral).
CAMPO DE POUSO I