7/28/2020

PROCURA-SE




PROCURA-SE



Joaquim Branco


Quando todas as famílias forem atingidas o culpado será um
todas as famílias forem atingidas o culpado será um
as famílias forem atingidas o culpado será um
famílias forem atingidas o culpado será um
forem atingidas o culpado será um
atingidas o culpado será um
o culpado será um
será um
um


28-07-2020

7/27/2020

TEMPO E ESPERA (poema)










TEMPO E ESPERA

Joaquim Branco

Como os dias estão voando
e as semanas passando como vento
o outono vivendo pelo inverno
a primavera se exasperando
enquanto o verão nos espreita!

É a sorte de quem espera
e atrás da porta se aflige
um dia depois do outro
um mês após o seguinte
fingindo estar bem para
o ano que (para todos) vem.

Tudo isso será um segredo
que não convém guardar
a sete chaves ou com medo?
Virão ventos, retornarão dias
a se diluir nos meses fatiados
em breves melancolias
e diáfanos fins de tarde
para nosso porvir, afinal.

25-07-2020

7/23/2020

NO ARQUIPÉLAGO DE SECHIISLAND


Joaquim Branco



Na foto, o poeta José Roberto Sechi



A Sechiisland é um território poético onde moram José Roberto Sechi e seus poemas. São diferentes ilhotas constituídas de “pocket-books” com poemas produzidos artesanalmente e cuja tônica é a criatividade com as palavras em busca de conceitos e objetos os mais variados.

À primeira vista, os trabalhos de Sechi lembram os de Appolinaire do princípio do século XX, mas seus caligramas estão inseridos na maior parte das vezes numa noção de autenticidade, brasilidade e regionalidade que os diferencia dos do francês.

São poemas inscritos numa visualidade poética temperada com a chave do humor e da surpresa e se inscrevem na esteira dos projetos realizados pelo Concretismo, Poema-Processo e Arte Postal dos anos 60/70.

Em mãos tenho 4 minilivros editados em 2019 para 50 exemplares numerados e assinados pelo autor, constituindo o que ele chama de Sechiisland.

Os poemas se agrupam nas seguintes categorias: os que utilizam apenas palavras; os que usam sinais e símbolos; os que se apresentam apenas com letras; e os que se compõem de todos esses materiais. Mas todos buscam a palavra oculta ou semioculta em meio a uma avalanche de experimentações poéticas.

O leitor vai se surpreender ao tomar contato com a produção de José Roberto Sechi, pois inevitavelmente irá penetrar numa terra nova que exigirá dele algo também criativo, ao abrir-se para ele a paisagem diferente dessas pequenas ilhas do incrível Arquipélago de Sechiisland.

(23-07-2020)









7/21/2020

VIVENDO COM OS CLÁSSICOS



Há 13 anos, atraído pelo título, adquiri num sebo o livro: "A arte de viver ensinada pelos clássicos". A menção do nome do organizador me indicava a qualidade da escolha: José Paulo Paes, poeta e crítico credenciado.


(Epicuro, in obviousmag.org)

Essa é uma antologia reunindo 15 escritores considerados clássicos, do século VI A.C. (o chinês Confúcio) ao século XIX (o norte-americano Emerson).
Comecei aprendendo na apresentação, onde vi que o tema não era nem a "dolce vita" dos italianos, nem o que consta dos manuais de auto-ajuda atuais.
O foco dessa arte de viver é a vida simples e feliz, longe da ostentação e do excesso de prazeres do corpo. É o que Schopenhauer denominou Endemonologia, que em grego significa tratado da vida feliz.
Logo nas primeiras páginas fui levado ao mundo dos clássicos desde 500 anos antes de Cristo aos pensadores do século XIX, passando pelos gregos Epicuro (século IV A.C.)l Plutarco (século I A.D.), os romanos Cícero (século II A.C.), Sêneca (século I A.D.), o troiano Epícteto (século I A.D.), e ainda pelo francês Montaigne (século XVI) até o norte-americano Emerson (século XIX) e outros.


(Plutarco, in vegazeta.com.br)

Nesta antologia, José Paulo Paes reuniu textos essenciais que tornaram a leitura uma viagem pela inteligência clássica de todos os tempos, como um roteiro para a felicidade, como está na "Moralia" de Plutarco: "Os jarros das coisas boas e más não estão depositados na soleira de Zeus mas na alma". (p. 92)
Na "Ilíada", quando Aquiles diz: "dos Aqueus de brônzea armadura nenhum me iguala – acrescenta – em batalha; em conselho outros me superam" (p. 90)
No excerto 182 de "O festival da vida", perguntaram a Epícteto: – Qual é o homem rico? Respondeu ele: – O que está contente". (p. 119)


(Epícteto, in frasesfamosas.com.br)

Este que nasceu em Troia e foi um escravo romano tornou-se depois professor de filosofia sem muita surpresa, pois sabe-se que foram os escravos gregos que ensinaram aos seus senhores os princípios da arte e da filosofia.
Outro grande pensador foi o romano Marco Aurélio, que viveu no século II A.D. e chegou a ser imperador de Roma. Na "Fortaleza interior" aconselhava: "Os homens procuram retiro no campo, à beira-mar, na montanha, e tu também tens o hábito de desejar tais coisas. Mas és insensato, pois pode à hora que te aprouver te retirares para dentro de ti mesmo". (p 125)


(Marco Aurélio, in estoico.com.br)


Posso terminar com um conselho essencial: "Perguntado sobre qual a melhor maneira de se mortificar um inimigo, respondeu Epícteto: "Tomando a decisão de viver a mais nobre das vidas". (p. 114)
Ou ironicamente com este conselho final também do mesmo autor: "Se te disserem que alguém falou mal de ti, não te defendas do que foi dito, mas responde: – Ele decerto não sabia dos meus outros defeitos, senão não teria mencionado apenas esse!" (p. 117)

(as imagens foram posterizadas por mim)

(21-07-2020)


6/29/2020



UM ALMANAQUE DA VISUALIDADE

Joaquim Branco

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Recebi, há pouco, uma verdadeira “História da Poesia Visual Brasileira”, do amigo-poeta Paulo Bruscky, em co-autoria com Yuri e Raíza Bruscky, em grosso volume, numa bela edição do CEPE – Companhia Editora de Pernambuco, de apenas 300 exemplares.
Trata-se de um bem completo repositório das principais manifestações vanguardistas ocorridas no país tendo como fulcro os anos de 1960/70, catalogando os movimentos e seus mais ativos participantes. E Paulo Bruscky, como um dos pioneiros no Brasil, não poderia ser melhor escolha para organizar este trabalho. Ele foi o introdutor da Arte Postal entre nós e seu disseminador em larga escala através de exposições e intensa correspondência aqui e no exterior.
Ali estão listados dezenas de poetas e muitos de seus poemas mais significativos, bem como textos críticos e históricos sobre as várias fases em que se desenvolveram os movimentos de poesia visual, entre eles o Concretismo, Práxis, Poema-Processo e Arte Correio.
O livro contém um texto meu e poemas de 5 autores de Cataguases, a saber: Ronaldo Werneck, P. J. Ribeiro, Plínio Guilherme Filho, Adolfo Paulino, Aquiles Branco e eu.
Muito oportuna esta iniciativa do governo de Pernambuco e outras entidades do estado, pois assim ficam registradas as atividades poéticas relativas à visualidade na poesia, por meio da valiosa pesquisa realizada pelo poeta Paulo Bruscky e Yuri e Raíza Bruscky.

(29-06-2020)