5/09/2015

Perfil dos "Verdes" - Cataguases 1927 - (9) ROSÁRIO FUSCO





ROSÁRIO FUSCO - Rosário Fusco de Souza Guerra nasceu em São Geraldo (MG), em 1910, mas veio para Cataguases aos 6 meses de idade. Ascânio e Fusco foram os “motores” da Verde. Fusco, apesar de muito novo (17 anos) na época, cuidava de toda a correspondência da revista, bem como de sua diagramação e ilustrações. Dedicou-se a todos os gêneros literários. Como advogado, foi procurador-geral do Rio de Janeiro, onde residiu por bastante tempo. Em 1967 voltou para Cataguases, morrendo em 1977.
Obras: O agressor, Livro de João, Carta à noiva, Dia do Juízo, A.S.A. - Associação dos solitários anônimos (romances); Fruta de conde e Poemas cronológicos (poesia, com Enrique Resende e Ascânio) e muitos outros; deixou inéditos: Vacachuvamor (romance), Um jaburu na Torre Eiffel (livro de viagem), Creme de pérolas (poemas). (foto Adriana Monteiro)



Com o cineasta Humberto Mauro, nos anos 60.



Com a mulher Annie, numa foto à la Hemingway, em plena criação de seus textos.









Fragmentos do romance "Dia do Juízo", obra-prima de Rosário Fusco:

“Sete dias gastei para fazer a terra que os senhores transformaram nesta lamentável droga. Encareço os sete dias para mostrar meu capricho: poderia tê-la formado com sete fiats.” (p. 249)

“São motivos vindos de fora que nos obrigam a agir... pode-se prever muita coisa neste mundo, menos a vontade... no fim a gente é vivida, mas não vive coisa nenhuma.” (p. 85)




Fusco ladeado por mim e por Bebeto Bittencourt, quando fomos recepcioná-lo na entrada do Hotel Cataguases, e preparava seu retorno a Cataguases, em 1967.



Bom desenhista, Rosário se incumbia da parte de ilustrações e de gráficos da revista Verde, inclusive do logotipo da própria revista.


Com o compositor e poeta Vinicius de Morais, na década de 70, em sua residência na Granjaria, Cataguases.




INTRODUÇÃO

[...]
Em todo caso lá pelas bandas da Vila Tereza
os sapos inda martelam bem surdo no charco imundo
sob o pisca-piscado das estrelas (vermelhinhas!) brilhando nas águas do Pomba.
Negrinhos molambentos parece que vivem de mijar (de tanto que mijam!)
no dia africano de bananeiras verdes balangando...

Mesmo assim Vila Tereza é uma lição de Brasil!

(1929)




Fragmento do romance Dia do Juízo, exemplo de narrativa moderna:

“[...] se às moradas do Pai o Filho se refere, e por moradas entendeis plurais moradas, quantos céus, nas alturas, haverá?
Vede em Lucas o que disse o Mestre, e ruminai o metassunto: pra valer.
Aviso: a não ser que prefirais o inferno ao céu (pois há gosto para tudo, e o inferno de muitos – ó preciosa liberdade de escolher – é o céu de inumeráveis), de nenhum modo, e nem por isso, deveis descuidar-vos em vida, tendo presente que o vosso reino, este, aquele ou aqueloutro, começa no lugar em que tiverdes apoiado os pés.
Que, até lá, a existência vos pese menos do que uma pá de cal.
Saudações e paz.” (p. 250)



Com a esposa Annie e a artista Josephine Baker, em Paris.



Capa de Poemas cronológicos, que dividiu com Enrique de Resende e Ascânio Lopes.




Chico e Fusco, uma dupla de grandes amigos.


Desenho do pintor Di Carrara para o meu arquivo pessoal.







Ronaldo Werneck e eu em visita ao amigo Rosário Fusco, na entrada de sua residência na Granjaria, Cataguases.





Fotos cedidas por Rosário François e outras pertencentes ao Arquivo Joaquim Branco.














Um comentário:

José Braz Fernandes Júnior disse...

Certamente o mais prolífico dos Verdes!