2/08/2014

DOMINGO DE LEITURA

Há algumas décadas ele me acenava da estante. É desses livros que vamos deixando para depois, devido a leituras prioritárias determinadas pela necessidade no trabalho e/ou nos estudos. Recentemente mandei-o para a encadernação e agora voltou em uma cor bege, mantidas, no entanto, no seu interior, a capa e as características que me atraíram desde 1959: Adeus, Mr. Chips (Porto Alegre: Editora Globo, 4ª ed., 1959, 132 pp.) , uma pequena novela escrita por James Hilton.

Chegava a sua vez. O domingo não me prometia nada e, mais do que uma leitura, um entretenimento poderia mudar as coisas, como efetivamente aconteceu.

Vale uma pequena introdução sobre o autor.

Escritor do século passado, Hilton (1900-1954) nasceu na Inglaterra, em Leigh (Lancashire) e morreu nos Estados Unidos, em Long Beach (Califórnia).

Começou sua carreira de ficcionista em 1920 com o romance Catherine herserf, mas só ficou famoso com Horizonte perdido (1933) – um best-seller na época – e com Adeus, Mr. Chips (1934). No ano seguinte, Hilton, com poucas malas e muita coragem, partiu para Hollywood, onde, até o final da vida, fez carreira como roteirista e adaptador de seus livros e de outros escritores para o cinema, com grande sucesso.

Voltando ao pequeno volume que tenho em mãos: são 18 capítulos curtos em letras grandes, formato pocket, 132 páginas. Acabei não muito rápido, mais para prolongar o prazer pelo resto da tarde na história de um professor que recorda sua vida numa escola inglesa – Brookfield – de fins do século XIX e princípios do XX.

O narrador, em terceira pessoa e com mão extremamente leve e hábil, conta a história do professor Chipping, apelidado Mr. Chips, desde que começou a lecionar. As conversas com a senhora Wickett, em cuja casa alugava um dos quartos, o contato com os alunos, o humor que desfiava em todas as ocasiões, uma vida enfim que passava como um filme, numa narrativa que parecia a princípio simples demais e que na sua inteireza se mostrou tão emocionante quanto criativa pela maestria do saber narrar.

Até o capítulo IV tudo transcorre na atmosfera da existência comum e enfadonha de um conformado solteirão que, “como ele próprio dizia, não fazia caso das mulheres, nunca se sentia bem ou à vontade na companhia delas”. (p. 27) Mas, nessa altura da novela, circunstancialmente, irrompe um personagem, uma certa Miss Katherine Bridges, “de olhos azuis e fulgurantes, faces pintalgadas de sardas e cabelos lisos cor de palha” (p. 29). Sua presença marcante e suas ideias avançadas não demoram a transformar o professor, eles se apaixonam e acabam se casando.

No flash-back do velho professor, que constitui a base da narrativa, esse fato parece ter determinado a mudança em suas atitudes, e estas, mesmo após a morte prematura de Katherine, passaram a compor, através dos anos, a mística de homem compreensivo, solidário e inovador em que se transformou o professor Chips na escola.

O desfecho da novela assinala o ‘adeus’ de um aluno a Mr. Chips e o anúncio de sua morte que consternou toda a comunidade, como foi consignado no discurso de despedida de Cartwright: “Brookfield jamais esquecerá essa figura querida.” (p. 132).

(Texto publicado no jornal Cataguases)

3 comentários:

figbatera disse...

Se agradou ao mestre só pode ser interessante...

Joaquim Branco disse...

Francisco, se você ler, vai gostar muito. Abraço.

Joaquim Branco disse...

Olney, desculpe, errei o nome...