9/12/2024

CAMÕES A PALO SECO - Poema/Palestra

 
No dia 9/9/2024, ocorreu a 2ª palestra do Ciclo de Palestras dedicadas a Camões pela Academia Juiz-forana de Letras, à distância. Agradeço muito pela recepção que tive e aproveito para passar o link da palestra para todos:


https://www.youtube.com/watch?v=bfOMKCfa1-s




https://youtu.be/bfOMKCfa1-s






MÃE - aniversário 11-09-2024

 



8/18/2024

ZONA DA MATA: NAS CILADAS DO CAMINHO


Fernando Fiorese

 Conheci os primeiros trabalhos de Fernando Fiorese nos anos 80, ele como participante do grupo D’Lira, de Juiz de Fora. Daí em diante, foi construindo sua obra em prosa e verso ao mesmo tempo que se tornou professor na área de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Bem mais tarde, em 2006 Fernando participou da minha banca de doutorado na UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Foi curto e distante o contato que tivemos, mas o acompanhamento de sua obra sempre esteve mais próximo e mais agora que acabo de ler o seu “Romance dos desenganados do ouro & outras prosas” (Rio de Janeiro: Faria e Silva, 2024,  151 pp.).

Escrito em versos, ora seguindo um metro ora outro, mas sem perder o fio da meada, este romance-poesia nos conta a história da Zona da Mata Mineira – “de língua dura e destravada”, ou “na letra corrida da espingarda” –, da segunda metade do século XIX.

Na busca do ouro que não existia, “no miserê dos lares”, nos “quiprocós que davam em riso”, nas “pendengas dos dares e tomares”, Fiorese vai construindo uma identidade quase perdida nessas Geraes de nossos antepassados.

Há mesmo em toda essa aventura um fio condutor – o jeito, o modo de vida, os costumes de um povo por onde vai passando seu texto algumas vezes mais participante como neste pequeno capítulo em prosa de “Na Livraria Pereira” (p. 104): “E não são os teares e outras máquinas que escravizam o trabalhador, e sim os capitalistas que se assenhoram das obras dos gênios das Ciências Mecânicas, cujos espíritos tratam de mover e mudar a matéria”. (p. 104-105)   

No poema “Totonho Furtado”, vêm enrolados religião, conversa de botequim, brigas de família, para terminar em referência bíblica temperada pelo humor: “Tem cabimento não, tanto escarcéu/ só fiz achar o mote, afinal/ foi tal e qual: QUINZIM MATOU ABEL.” (p. 89)

Em nossos ‘Sertões proibidos’, convivem os ditos populares “aquilo que não se tem, faz-se” como a vida do bandido Antônio que “ganhou fama por pegar qualquer serviço (de menos matar criança, moça e padre)”. Mas o texto poético e crítico também aí comparece: “Dias e noites no mesmo e igual cilício/ de derrubar mata e domar cavalo,/ de caçar pretos e mais tantos bichos.” (p 7)

Fiorese vai traduzindo e poetizando todo o material narrado numa impressionante sucessão de fatos onde “Muita vez é maior verdade a lenda” (p. 11). Como no caso do Capitão Amaral que não queria o casamento da filha com um pretendente desconhecido na região. “Por ele, antes a filha sem marido/ que emprestar o sangue àquele sicrano,/ de quem não tinha as modas nem o molde./ Entanto, Laura cismou que era Antônio/ ou se atirava no Pomba a doidivanas.” (p. 10)

Esses textos são na verdade ‘ciladas do caminho’ e por isso mesmo uma agradável e profícua leitura principalmente para quem conhece ou quer conhecer, por meio da recriação de Fernando Fiorese, este lado das Geraes, muito conhecido como Zona da Mata Mineira. 

8/02/2024

Com os besouros falantes na pele da linguagem

 Há 21 anos, meu irmão Pedro publicava este livro e se notabilizava com narrativas curtíssimas - seus microcontos de excelente qualidade que o colocaram como dos melhores criadores desse tipo de ficção: 

COM UNS ‘BESOUROS FALANTES’, NA PELE DAS PALAVRAS

Joaquim Branco            

(BESOUROS FALANTES – P. J. RibeiroEdições Totem –  Cataguases - 87 pp.- 2003)

No meio do mato besouros falantes emitem cochichos. Formigam farelos de falas, confundem e misturam nexos. Estes não são propriamente aqueles animaizinhos de asas noturnas e dura casca que, na ânsia da luz e dos holofotes, rodopiam rodopiam até cair embaixo de sapatos esmagadores.

Seu misterioso ciclo de vida resume a metáfora do destino humano ou o capricho das sensações e a busca de um sentido para as coisas. Os besouros que narram também pintam e bordam na construção de um texto sem paralelismos e rodeios. Sua mágica entra na poesia e sai na prosa, e, quando se pensa que se tornaram líricos, já se vestiram de épicos ou penetraram no drama. 

Esses bichinhos ruminam sua fome de dentro da mente humana e dali se veem diante de uma sede que não sacia nunca. Ficam remoendo um grilo que o descuido deixou apanhar, ou dormem sobre o remorso de horas tediosas. São falantes porque o tempo todo falam e ouvem vozes que lhes ensinam coisas, e eles as devolvem ao leitor no seu besourar contínuo. 

A maioria dos microtextos deste livro de P. J. Ribeiro foi escrita na década de 1960, alguns na de 70, poucos na virada do século. Mas todos trazem indelevelmente inscrita na pele a marca da aventura com a linguagem, que faz do homem não o melhor, mas o mais inquieto bicho da natureza.

Transcrevo algumas dessas micronarrativas de P.J.Ribeiro para o leitor continuar a ‘viagem’:

MONTANHAS DE MINAS

Olhe, só depois de passar por certas coisas e de notar esta chuva caindo de mansinho e que só aumenta com o tempo é que finalmente tomo coragem, passo as mãos nos móveis da sala e sinto como estão frios. Então percebo lá fora aquelas montanhas de Minas que continuam caladas estupidamente geladas olhando para mim.


NUM DETERMINADO PAÍS

Num país subdesenvolvido o que vale é ser rico.

Num país subnutrido o que vale é ser bicho.

Num país desenvolvido o que vale é ser mito.

Num país independente o que vale é ser gente.


CLÍNICA

Por favor,

aguarde na recepção.

Pode ser grande

a decepção.


DIAS E NOITES

Dias e noites eu me chego bem pra perto de mim – o sol se distancia e uma luz se apaga – e as perdas qu’eu sinto no peito, contrafeito, mordem-me os sentidos, tolhem-me a vontade.

Noites e dias me pergunto tonto qual o destino dessa vida errante, se pra me encontrar me afasto tanto, se ao me entregar me despedaço antes.


COCEIRA

Coço a cabeça, passo a mão na perna, limpo meu rosto, pego o cigarro, escovo os dentes, sento-me no vaso e só aí sai alguma coisa. 

Descarrego sonhos.


DE QUE ME ADIANTA?

De que me adianta ser feliz em Atlanta?

De que me vale ser uma besta em Sales?

O que me impede de ser um cego em Medes?

O que me leva a esconder nas trevas?


DO LADO DE LÁ

Quero ver o que acontece

do lado de lá.

Quero mudar de time

pra me escalar.


Quem puder ouvir essas vozes aproveite; o livro é pequeno, mas a conversa é preciosa. Os besouros não estarão para sempre do lado do homem, a entrar em seus pensamentos para lhe dar ideias...





6/10/2024

LANÇAMENTO DE EXPÔ E LIVRO "ZONA DE CONFLITO" EM CATAGUASES

Além do lançamento do meu livro "Zona de Conflitos", haverá um MURAL DE POEMAS com participação de 33 poetas visuais internacionais. 
bit.ly/Lançamento_Zona_de_Conflito_JB (vídeo)




5/29/2024

CINEMA NA UEMG

À NOITE, COM A EQUIPE DE CINEMA DA UEMG Sábado passado (11-05-2024) estive novamente na UEMG a convite da diretora, professores e alunos para a gravação do poema de Ascanio Lopes "O serão do menino pobre". Pensei que não daria conta, mas o incentivo deles foi tão grande que acabei me saindo razoavelmente. Mas nada se compara ao prazer de estar com eles e comentar sobre a literatura de Cataguases. Valeu, companheiros!!! A foto registra o agradável encontro.

1/02/2024

POEMA PERPLEXO - VERSÃO EM BORDADO

No Condomínio Aldeia da Cachoeira das Pedras, Maria de Nazaré e suas amigas fazem maravilhas com seus bordados utilizando poemas curtos. Obrigado pelo aproveitamento do meu poema que agora parte para novas terras...

12/21/2023

O PRIMEIRO LIVRO SOBRE A REVISTA VERDE DE 1927

Minha tese de Mestrado no CES/JF, este foi o primeiro estudo acadêmico sobre o Movimento Verde de Cataguases ocorrido em 1927, e considerado uma das vertentes do Modernismo no interior do país.

12/08/2023

O 1º SUPLEMENTO LITERÁRIO: SL/D (Suplemento/Literatura/Difusão) - 1968


No dia 08/03/1968, o jornal "Cataguases" anunciava a criação do suplemento SL/D (Suplemento Literatura Difusão) com novidades literárias. O entusiasmado texto era de Eli Barbosa, então redator-chefe do jornal, intelectual que deu guarida às novas ideias que surgiam na época. E esse apoio foi primordial para que desenvolvêssemos vários números subsequentes. Foto Adriana Monteiro.

NOSSO 1º JORNAL - "O MURO" - de 1961 a 1962

Há pouco mais de 60 anos, o grupo Totem editava seu 1º jornal. Era assim que os movimentos começavam. Era uma publicação mimeografada, com as restrições tipográficas e financeiras da época, todos estudantes e muito jovens. Mas conseguimos tirar 11 números pela teimosia e vontade de escrever. O título, inspirado num livro de Jean-Paul Sartre, já demonstrava a que veio.

12/03/2023

O POEMA QUE VIROU MÚSICA

O POEMA QUE VIROU MÚSICA Joaquim Branco. A Arte quase sempre nos engana, ou melhor, percorre caminhos inauditos, até inimagináveis. Assim aconteceu com o poema “Certeza da morte”, escrito provavelmente em 1928 por Ascanio Lopes (1906-1929), em apenas 6 versos, e incluído pelo autor na série “Sanatório”. Ascanio estaria internado numa clínica nas proximidades de Belo Horizonte, em tratamento de tuberculose, na época uma doença incurável. Seu sofrimento perpassa vários poemas premonitórios e de preparação para sua morte aos 22 anos. Pois eis que esse poema ficou mais ou menos inédito até 1967, quando o poeta-crítico Delson Gonçalves teve a feliz ideia de editar um livro com a obra de Ascanio acompanhado de preciosos comentários críticos e biográficos. Praticamente essa edição foi a que fez chegar até nós, cataguasenses, a obra de Ascanio Lopes. Agora, muitos anos depois, um trio se reúne e transforma “Certeza da morte” em música: Vanderlei Pequeno (música), Juca Fusco (voz) e Ezequiel Sabino (arranjos) realizam um trabalho digno de Ascanio Lopes e com rara sensibilidade nos entregam o poema revisitado musicalmente. Eis o poema: CERTEZA DA MORTE Ascanio Lopes. Eu sei... Eu sei... Mas não choro, nem clamo. O pranto é amargo e inútil e meu clamor não alcançaria o céu. Nem desespero: de nada vale o desespero, ante as coisas irremediáveis.

NATAL EM GAZA

Em dezembro de 2016, publiquei o poema "Natal em Aleppo", interpretando o cerco a essa cidade e a situação terrível dos seus habitantes. Agora, em dezembro de 2023, retratando os horrores que se passam na Faixa de Gaza, no mesmo Oriente Médio, tive apenas que mexer no título do poema para "Natal em Gaza". O terror é o mesmo, infelizmente.

11/16/2023

CONVITE PARA EXPÔ DE REVISTAS DE ARTE DO BRASIL

Convite recebido ontem - 15-11-2023 - do curador do Espaço Líquido, de São Paulo, Amir Brito Cadôr, para uma exposição de Revistas de Artistas do Brasil:

11/13/2023

CATAGUASES, FUNDAÇÃO HISTÓRICA

Situada no sudeste mineiro, na região da Zona da Mata, Cataguases tem cerca 495 km2 de área e fica a 167 metros de altitude. Tradicionalmente sua importância econômica está ligada ao seu parque industrial de tecidos, mas cada vez mais se confirma que o principal foco de interesse e de atração mesmo é a cultura. Isso se deve à projeção que o Movimento Verde na literatura e o pioneirismo de Humberto Mauro no cinema lhe deram, transformando-a em pólo artístico e cultural a partir de meados da década de 1920, com continuação em ciclos subsequentes.
A cidade surgiu como povoação por volta de 1828, quando chegaram os primeiros colonizadores, liderados pelo francês Guido Marlière, nomeado coronel-comandante das Divisões Militares do Rio Doce e encarregado da catequese dos índios pelo imperador dom Pedro I. Na ocasião, um dos habitantes da região, o sargento de ordenanças Henrique José de Azevedo, doou boa extensão de terras à Província de Minas Gerais e, junto com Marlière, demarcou o território da povoação de Meia Pataca. A produção de ouro em Minas, que começara a decair em finais do século XVIII, chegava à exaustão, e o governo, que já rompera “a interdição da floresta atlântica”, a partir de 1814, viu os primeiros deslocamentos humanos partirem para a Zona da Mata.
Somente em 1842, vindo de Lagoa Dourada, chegou à região para se estabelecer o fazendeiro Joaquim Vieira da Silva Pinto, conhecido mais tarde como Major Vieira. Fixou-se no Glória, com sua família, onde construiu a sede da Fazenda do Glória e criou um respeitável patriarcado com a participação dos vários ramos de sua família, em que os principais eram os Vieira-Resende e os Dutra-Nicácio. Ocorreu intenso progresso ao seu redor e sob sua orientação, especialmente pelas plantações de café, que atraíram outros sitiantes e fazendeiros em busca do “novo Eldorado – a Zona da Mata”. Impulsionada pela agricultura – em especial, o café – a cidade progredia ainda em pleno século XIX, e o novo chefe político, o coronel Vieira, demonstrando ter preocupações culturais, enviou seis de seus filhos para o famoso Colégio do Caraça e um para o Colégio Militar. Tornaram-se mais tarde grandes advogados e depois juristas de renome.
O primeiro trem-de-ferro e o telégrafo chegaram em 1877, com a elevação da vila a município. No ano seguinte, foi criada a primeira loja maçônica: ‘A Flor da Viúva’. Em 1893, com a eclosão no Rio de Janeiro da Revolta da Armada, milhares de pessoas tiveram que abandonar a capital federal, perseguidos pelo governo do Presidente Floriano Peixoto. Nessa época dirigiram-se para Cataguases figuras ilustres como o poeta Osório Duque Estrada, a família do Almirante Saldanha da Gama, Quintino Bocaiúva, a professora portuguesa Carolina Webster e seu marido, o inglês Denis Webster, e muitos outros professores, que passaram a exercer influência na cidade, fundando colégios e jornais e desenvolvendo o gosto pelo teatro e os saraus.
Florescia no município um grupo de advogados e juristas, ampliou-se o comércio, multiplicaram-se os jornais como O Povo, O Popular, Eco de Cataguases, O Agricultor, A Quimera, e apareceram duas publicações maiores: a Revista do Interior (1915) e a Revista da Mata (1917). Outro marco significativo foi a inauguração, em 1896, do Teatro Recreio, que, mais tarde, se transformou em cine-teatro. Ali eram representadas peças de companhias do Rio de Janeiro e também de autores locais, e porteriormente filmes.
O representante cataguasense na Câmara de Deputados – Astolfo Dutra – foi reeleito presidente por seis legislaturas. Em 1910, os portugueses Manuel Inácio Peixoto e João Duarte Ferreira fundaram o Ginásio Municipal, que tornou-se, dirigido por Antônio Amaro, uma instituição de nome em toda a região. Quatro anos depois, dentro do colégio, surgiu o Grêmio Literário Machado de Assis, em cujas sessões iniciaram suas experiências os integrantes do que seria mais tarde o Movimento Verde na literatura.
Todos esses eventos – e outros que escapam a esse resumo – antecederam o destino de Cataguases para a cultura. No entanto, foi com o trabalho dos ‘verdes’ – no grêmio, nos jornais e revistas – que aconteceu a ruptura com a velha ordem para se instalar o Modernismo em Cataguases. A ação desenvolvida pelo grupo deveu-se à ação de cada um dos participantes do movimento, desde meados dos anos 20: Ascânio Lopes, Camilo Soares, Francisco Inácio Peixoto, Rosário Fusco, Enrique de Resende, Christophoro Fonte-Boa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta e Guilhermino César. Sua atividade se dividia em quatro jornais principais: "Mercúrio" (da Associação dos Empregados do Comércio), "Jazz-Band", "O Estudante" e "Cataguases", que foram o tubo de ensaio para a criação da Revista Verde, que viria em 1927

10/22/2023

DIALOGUE/WAR

Mário Faustino no Dia do Poeta - 20-10-2023

No DIA DO POETA (20 de outubro de 2023), a homenagem é para o grande poeta Mário Faustino, morto prematuramente em 1962 num desastre aéreo a 5 minutos do aeroporto de Lima. O poema de Faustino enfoca personagens conflitantes da História que se reconciliariam num futuro imaginado poeticamente. Sua temática é bem a propósito do lamentável momento atual de guerras.

7/15/2023

A FICÇÃO X O REAL - Joaquim Branco

A FICÇÃO X O REAL Confesso que, quando peguei para ler as impressões do escritor Autran Dourado sobre os tempos de JK, foi mais por um ato instintivo ou mesmo vício de leitura, pois o livro acabara de chegar pelo correio e meu interesse era mínimo. Mas a Gaiola aberta (esse, o título) foi me levando pra dentro de suas páginas e quando vi estava chegando ao final, e com aquela sensação de quem quer mais. Não apenas os bastidores dos governos de Juscelino Kubitschek (o estadual em Minas e o federal), que são narrados do ponto de vista de seu secretário Autran Dourado (eu desconhecia esse e muitos outros fatos) e vão prendendo o leitor, mas sente-se ora e vez a mão do ficcionista – então um principiante – amassando o barro, destilando a ironia, mexendo com personagens reais e vivenciando a narrativa com um savoir-faire de quem é do ramo. No ir e vir das reflexões e lembranças do autor – muitas vezes rompendo a cronologia dos fatos, para intercalar particularidades interessantes – podem-se ver de perto a figura do poeta Augusto Frederico Schmidt, as cenas palacianas com o presidente JK, as reuniões formais e as informais, as correrias e providências para contornar situações difíceis, o cerimonial que cerca a diplomacia, o pitoresco e até o burlesco presenciados por Autran. Do elenco das cenas e acontecimentos, vem a primeiro plano o poeta Schmidt (hoje tão esquecido, mas muito admirado pelo autor) e suas rocambolescas aventuras pela política, talvez pelo arroubo exagerado das atitudes; o fraco de Juscelino pelos escritores, dos quais vivia constantemente cercado; a politiquice, o puxa-saquismo e o ridículo das pessoas rodeando o poder e muitos outros aspectos da política nacional, incluindo um torcer de nariz, por parte do autor, ao lado esquerdista da história brasileira. O livro é uma viagem aos anos 50 só que ciceroneada por um guia muito especial, na época, um assessor de imprensa do presidente JK, que viria a se tornar mais tarde o grande romancista mineiro Autran Dourado, "vivendo" uma aventura incrível como quase um anônimo ou apenas um rapaz de talento como tantos outros. Gaiola aberta - Tempos de JK e Schmidt (222 pp.). Editora Rocco - Rio de Janeiro.

DIÁLOGOS REPUBLICANOS Nº 12

Diálogos republicanos nº 12 Joaquim Branco - O que é uma ditadura? - Imagine uma noite escura. - Sim. Estou imaginando. - Mais escura ainda. - Tá. - Infinitamente escura. - Aham. - Aperte os olhos. Force mais. - Está escuro demais. Não vejo mais nada. - É isso aí. - Onde você está?? Acenda a luz!!!! Socorro!!! 10-05-2020