10/22/2023

DIALOGUE/WAR

Mário Faustino no Dia do Poeta - 20-10-2023

No DIA DO POETA (20 de outubro de 2023), a homenagem é para o grande poeta Mário Faustino, morto prematuramente em 1962 num desastre aéreo a 5 minutos do aeroporto de Lima. O poema de Faustino enfoca personagens conflitantes da História que se reconciliariam num futuro imaginado poeticamente. Sua temática é bem a propósito do lamentável momento atual de guerras.

7/15/2023

A FICÇÃO X O REAL - Joaquim Branco

A FICÇÃO X O REAL Confesso que, quando peguei para ler as impressões do escritor Autran Dourado sobre os tempos de JK, foi mais por um ato instintivo ou mesmo vício de leitura, pois o livro acabara de chegar pelo correio e meu interesse era mínimo. Mas a Gaiola aberta (esse, o título) foi me levando pra dentro de suas páginas e quando vi estava chegando ao final, e com aquela sensação de quem quer mais. Não apenas os bastidores dos governos de Juscelino Kubitschek (o estadual em Minas e o federal), que são narrados do ponto de vista de seu secretário Autran Dourado (eu desconhecia esse e muitos outros fatos) e vão prendendo o leitor, mas sente-se ora e vez a mão do ficcionista – então um principiante – amassando o barro, destilando a ironia, mexendo com personagens reais e vivenciando a narrativa com um savoir-faire de quem é do ramo. No ir e vir das reflexões e lembranças do autor – muitas vezes rompendo a cronologia dos fatos, para intercalar particularidades interessantes – podem-se ver de perto a figura do poeta Augusto Frederico Schmidt, as cenas palacianas com o presidente JK, as reuniões formais e as informais, as correrias e providências para contornar situações difíceis, o cerimonial que cerca a diplomacia, o pitoresco e até o burlesco presenciados por Autran. Do elenco das cenas e acontecimentos, vem a primeiro plano o poeta Schmidt (hoje tão esquecido, mas muito admirado pelo autor) e suas rocambolescas aventuras pela política, talvez pelo arroubo exagerado das atitudes; o fraco de Juscelino pelos escritores, dos quais vivia constantemente cercado; a politiquice, o puxa-saquismo e o ridículo das pessoas rodeando o poder e muitos outros aspectos da política nacional, incluindo um torcer de nariz, por parte do autor, ao lado esquerdista da história brasileira. O livro é uma viagem aos anos 50 só que ciceroneada por um guia muito especial, na época, um assessor de imprensa do presidente JK, que viria a se tornar mais tarde o grande romancista mineiro Autran Dourado, "vivendo" uma aventura incrível como quase um anônimo ou apenas um rapaz de talento como tantos outros. Gaiola aberta - Tempos de JK e Schmidt (222 pp.). Editora Rocco - Rio de Janeiro.

DIÁLOGOS REPUBLICANOS Nº 12

Diálogos republicanos nº 12 Joaquim Branco - O que é uma ditadura? - Imagine uma noite escura. - Sim. Estou imaginando. - Mais escura ainda. - Tá. - Infinitamente escura. - Aham. - Aperte os olhos. Force mais. - Está escuro demais. Não vejo mais nada. - É isso aí. - Onde você está?? Acenda a luz!!!! Socorro!!! 10-05-2020

BLACK&WHITE - poema visual Joaquim Branco

4/22/2023

INCONFIDÊNCIAS POÉTICAS

 

INCONFIDÊNCIAS POÉTICAS

 Joaquim Branco

 

Rola o tempo da gastança

em que a abundância do ouro

fazia antes as despesas del rei,

e dos governadores da província

das Minas e dos comerciantes.

 

Ainda chora Marília de amores

perdida pelo Ouvidor

de dores poéticas nas esquinas,

becos e descidas de Vila Rica,

esquecidas na beleza de Bárbara

que fazia os encantos de Alvarenga

com sua arenga de doutor das leis.

“Bárbara bela/ do norte estrela

que meu destino/ sabes guiar....”

 

1200 arrobas anuais do quinto do ouro

vão para Lisboa em caixotes

mas o ouro acabou, disse o minerador.

Enquanto as colônias inglesas da América

mal disfarçam sua vitória,

a nossa inglória terra paga

ainda os impostos com o que não tinha.

 

Fantasmas do Marquês de Pombal

e Cláudio Manuel cochicham nadas

na Casa de Ópera de dona Josefa

e veneram uma relíquia sagrada.

 

Muitos escondem os diamantes no contrabando,

em troca do silêncio dos Dragões do Regimento.

 

Reuniões em salas secretas se fazem

enquanto Silvério os troca por míseros réis

e Gonzaga espanta o medo no favor

amoroso de dias futuros e fagueiros

e Marília sonha com o poeta-pastor.

 

De repente, o sublimado passou

o sonhado, e o esperado não virou ato.

E Tiradentes?

Este, coitado, teve o maior castigo

e a maldição dos muitos inimigos.

 

21-04-2023

 

3/18/2023

POEMÀCIDADE - Joaquim Branco

SUAVE É A NOITE DA POESIA Para a sexta-feira passada (3-3-2023), o Restaurante Iguaria Gourmet preparou um cardápio inédito para os aficcionados da cultura: um evento com literatura e fotografias. Na parede, quadros com fotos e poemas sobre Cataguases e nas mesas e bancadas o relançamento da "Pequena História da Fundação de Cataguases". O resultado foi um agradável encontro com pessoas que eu não via há tempos, outras que são 'habituées' nesses eventos e a surpresa de conhecer um novo público ávido por leituras literárias e históricas. Seguem fotos do evento. Haverá outras fotos à medida que me sejam enviadas. O título desta materinha é uma homenagem ao meu irmão Pedro que escreveu sobre outro livro meu e intitulou: "Suave é a noite do Consumo" (o livro era o "Consumito")(JB).

POEMA DA AUSTERIDADE - Joaquim Branco

1/15/2023

BAPO OU A TRANSPARÊNCIA DA LINGUAGEM - Joaquim Branco

Publiquei este texto crítico em 14-01-1968 no jornal "Tribuna da Mata" logo após o lançamento do livro de Francisco Inácio Peixoto "A janela", na antiga loja "Domus" em Cataguases, ocorrido no dia 31-12-1967. 
Lembro-me de que, na noite do lançamento, dona Amelinha me pediu para abrir o evento, dizendo algumas palavras, e que ele gostaria que fosse eu. Mesmo diante de sua insistência e da minha vontade de aceitar o honroso convite, não tive coragem naquela sala muito cheia e a inibição me tomou. Fico me perguntando: será que ela me perdoou? 
Aqui vai a minha tardia desculpa.
________________ BAPO OU A TRANSPARÊNCIA DA LINGUAGEM___________ Joaquim Branco_________________ Ler o livro de contos de Francisco Inácio Peixoto, lançado em noite festiva no domingo passado (leia-se 07-01-1968) é travar contato com um trabalho sério cujo aprimoramento a passagem dos anos veio confirmar. Os 7 contos que compõem o volume “A Janela” (Editora do Autor, 1967, 76 páginas), com excelente capa de José Maria Dias da Cruz, são prova concreta da vitalidade de um artista que – apesar de estar encerrado na província e marginalizado pela atividade por longo tempo como industrial têxtil (felizmente agora aposentado) – soube manter seu compromisso com a literatura, verdadeiro ofício do escritor. Não vou analisar a obra desta vez. Fica para depois, com mais espaço e vagar que o livro merece. Hoje chamo a atenção dos leitores para o último conto da presente coletânea – “Bapo” – que considero a peça mais bem realizada do conjunto. Este é um conto enxuto, limpo, composto de imagens plásticas de alta comunicabilidade e que me impressionou vivamente. Para citar bons contistas contemporâneos – Dalton Trevisan, José J. Veiga, Ivan Ângelo – pode se associar o ficcionista em questão a algum dos citados, mas seria difícil uma ligação por proximidade de estilo ou algo semelhante. Características além da originalidade, nota-se a marca do poeta, descobrindo e registando a imagem em pequenas explosões de cores e ritmos, taquigrafando a nomenclatura inconsciente das sensações, ou criando uma ponte entre o clima, o “plot” e a linguagem. “Bapo” é a onomatopeia da criança que a imaginação do escritor captou num lance rápido e que foi bem encaminhada dentro de uma sintaxe clara e melopaica, à medida que vai sendo desatada a estória e vão se delineando as figuras do Menino e do Peixe. O contista por trás deles – como a persona poundiana – se esgueira, flutua, nomeia as palavras, e daí nasce uma atmosfera ao mesmo tempo real e alegórica. Além disso, o conto comunica uma transparência ambiental comum ao reino dos peixes que tem ligação com a luminosidade do mundo infantil, onde as cores – mais definidas e por isso diversificadas – adquirem uma espécie de fosforescência meio estranha. Transcrevo alguns fragmentos do conto onde o autor descreve o aspecto daquele “pequeno e vivo ludião vermelho”: “era um desses peixinhos lindos de aquário, habituados à transparência de sua bola de cristal” (p. 74). Ou quando da agonia do pequeno Bapo: “o corpo perdera a flexibilidade e só a custo se contraía sem direção. Era uma pequena alga que as águas levassem. Recurvara-se em sinuoso e hirto.” (...) “As guelras batiam, ritmando o incessante abrir e fechar da boca”. (p. 76) Em seguida, a tentativa de salvamento: “puxaram-no para a margem, como uma coisa, como um papel amarrotado que estivesse boiando no tanque. Algumas escamas haviam perdido os reflexos dourados e se esfiapavam formando manchas macetadas”.(p.76) E finalmente a morte: “E Bapo foi descendo lentamente, lentamente, como um esquifezinho, até mergulhar no lodo a pequenina cabeça vermelha. Quando o tiraram dali, estava morto.” (p. 76)

10/15/2022

DIA DO PROFESSOR

O Google, na sua janela de imagens, anuncia hoje – 15-10-2022 – o "Dia do Professor". Posto novamente meu poema em referência a este dia tão importante para todos, em homenagem a essa profissão tão menosprezada tanto pela consideração que mereceria como pela remuneração que não condiz com sua função. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- O PROFESSOR (homenagem ao Dia do Professor) Joaquim Branco Preparado pra ensinar, costuma aprender tanto quanto ou mais do que ensina. Também ensina a ensinar. Na sua oficina feita de livros, giz e lousa, muitas vezes o que mais faz de toda a coisa é conviver: viver com. Prepara sua aula arruma sua alma e nem vê que faz mais do que sente: inventa. Na outra ponta, está quem é sua razão de ser e viver: o aluno, uno em sua estação de ser. São ambos, quando os juntamos – aluno e professor – uma só unidade num só contendor. A total identidade.