6/18/2022

HERBERTO DUTRA

HERBERTO, A ORATÓRIA COMO ARTE
Enfileirados, alunos e professores iam entrando pelo corredor do antigo Cinema Machado (onde hoje é o Centro Cultural Humberto Mauro); por último, com os braços para trás, vinha o paraninfo das turmas dos grupos escolares de Cataguases, um homem alto de bela e tranquila figura. Minha mãe, atenta, apontou: “é ele, Herberto Dutra”. E virando-se para mim: “Você não poderia perder esta oportunidade de vê-lo falar”. Naquele instante vivido no final dos anos 50, eu ainda relutava em aceitar o convite dela, mesmo sabendo que ela nunca perdia uma oportunidade de promover momentos culturais para os filhos. Começou a cerimônia. Falam professoras, diretoras e alunos. Hinos são cantados e todo o auditório ouve atento. Por último, chega o momento pelo qual minha mãe ansiava. O paraninfo foi chamado a falar. Herberto pega o microfone e o afasta; levanta-se e inicia suas palavras de improviso, inspirando-se na letra do último hino cantado pelos alunos. Logo nas primeiras frases, eu percebi a importância da insistência para que eu visse e ouvisse aquilo. A voz colocada no lugar e as palavras saindo como num poema perfeito. Nos meus 10 anos de idade, como aproveitei aquele momento único, e como toda a plateia ouvia atentamente sem um barulho. Ao término, era como se pedíssemos mais. Alguns anos depois, já em meados da década de 50, eu soube que o orador que tanto me impressionara iria participar de um jantar político na mansão do dr. Pedro Dutra, seu irmão. Pedi a minha mãe para me levar até lá. Queria confirmar ou não aquela boa impressão que tivera. Chegamos cedo e esperamos por algum tempo. No meio do jantar, começaram os discursos, todos muito repetitivos, cheios de lugares-comuns. O melhor viria depois. Herberto se levanta e começa sua fala que vai aos poucos arrebatando a todos. Lembro-me de que ele começou fazendo comparações com as montanhas de Minas. Era um poema novamente. Fiquei maravilhado e agora bem mais, pois, com um pouco mais de idade, pude aproveitar suas palavras quase que integralmente. Ao final do jantar, pedi a minha mãe para que me apresentasse o orador, que acedeu prontamente. Eu lhe disse da minha admiração, e ele, abaixando-se e dirigindo-se a mim, afirmou que soubera do meu sucesso no ginásio, das minhas notas boas, do quadro de honra. Eu, mudo diante daquilo, não pude falar mais nada, apenas vê-lo lentamente se afastar para nunca mais. Herberto Dutra (1909 - 1970)

1/23/2022

ASTOLFO DUTRA NICÁCIO NETO (1921-2008)

Joaquim Branco e Pedro J. Branco Ribeiro entrevistam Astolfo Dutra Nicácio Neto (1921-2008): “Meus pais me legaram o amor pelo nosso torrão”
Morreu no dia 2 de dezembro de 2008 o eminente cataguasense Astolfo Dutra Nicácio Neto. Filho do casal Flávio/Pedro Dutra, herdou dos pais principalmente a correção e a generosidade que passava a todos que o cercavam. Advogado e escritor talentoso, político avançado e advogado aposentado do Banco do Brasil, vivia no Rio de Janeiro há muitos anos ao lado da esposa Neusa Rodrigues Moreira Mesquita, professora universitária. Do primeiro casamento teve três filhos: Maria Cristina, Pedro e Beatriz Helena. Foi deputado estadual em 1946, e seu pai Pedro Dutra tornou-se um político da maior importância em nossa cidade, bem como seu avô Astolfo Dutra, que alcançou a presidência da Câmara de Deputados por 6 vezes. Em 2002 publicou o livro "Astolfo Dutra – um líder mineiro na República Velha", rica contribuição à cultura e especialmente à história brasileira. Nessa época, fiz com ele uma entrevista, que transcrevo a seguir em forma de depoimento, e em que teve a oportunidade de discorrer sobre os estudos, a literatura, a política, a vida familiar, a história e outros temas. O NASCIMENTO E A FAMÍLIA Nasci a sete de agosto de 1921, em Cataguases, na avenida a que tomaria de empréstimo o nome. Era o único neto varão do casal Antônia-Astolfo Dutra. Não me faltavam tios, ao todo sete, a maioria dos quais residindo no casarão plantado entre as casas de José Peixoto e um terreno baldio, limítrofe com a casa de Agenor Ladeira. Minha família era de origem rural, bacharelizada pelo empobrecimento. O clã Resende-Dutra Nicácio esvaía-se. Na realidade, no ramo de que provenho, nunca foi acentuada a vocação rural. Muitos dos Dutra e dos Resende, como compensação à perda de patrimônio, dedicaram-se ao exercício de profissões liberais: Advocacia, Medicina, Engenharia, com extensões ocasionais pela Política. Por outro lado, é forçoso reconhecer a inabilidade familiar em amealhar riqueza. No meu caso particular, desde cedo, ouvi dizer que, enquanto alguns tinham talento para criar fortuna, outros tinham para gastá-la. É claro o caráter jocoso da afirmação. Entretanto, aqui valem algumas observações: sob o ponto de vista material, os dois momentos mais prósperos da vida de Pedro Dutra foram aqueles em que mais distante se manteve da lida política – o período anterior à eleição para Deputado Estadual, entre 1924 e 1930, quando construiu a casa da avenida; e aquele compreendido na ditadura de Getúlio Vargas, quando ampliou grandemente sua residência, adquiriu e aparelhou a Fazenda Itaguaí, com mais de trezentos hectares. PRIMEIROS ANOS Os tempos desenrolados na residência de minha avó e tios marcaram suavemente minha infância, na cidadezinha ainda de ruas recobertas de terra, carentes de movimento e que me permitiam e aos pequenos amigos brincar em segurança na rua. A vida corria serena, não havendo sensíveis diferenças de classes sociais; todos os meninos estudavam no Grupo, o curso primário era ministrado de forma excelente. Basta dizer que deixávamos o curso primário com o sistema métrico decimal na ponta da língua. Cumprido o curso primário, o prosseguimento de meus estudos teve forma utópica: fui cursar o ensino médio no Liceu Rio Branco, na capital de São Paulo, onde moravam meus tios maternos, cerca de dez. Aqui cabe assinalar um fato que marcou positiva e significativamente minha modesta formação cultural: quase todos os meus tios eram leitores cuidadosos e se empenhavam em que não me mantivesse alheio aos livros. Ali travei conhecimento, a partir de dez anos, com Monteiro Lobato, Paulo Setúbal e Guilherme de Almeida. Radiquei-me em São Paulo nos primeiros dias de 1933. Era uma cidade ainda com toques provincianos, inúmeras ruas iluminadas a gás, ali, bem atual, o soneto de Jorge de Lima. ESTUDOS E LITERATURA Meu ingresso no ginásio não foi isento de certo temor. São Paulo acabara de ser derrotado na Revolução de 1930, sobretudo pelas tropas da Polícia Militar de Minas. Os ânimos permaneciam exaltados, num certo sentimento de humilhação. E mineiro eu era, de certa forma coautor da frustração paulista. Mas tudo se arrumou e fui gentilmente recebido. Concluído o curso ginasial, segui para o Rio de Janeiro, vindo morar em Copacabana, com minha avó e meus tios paternos. O mesmo carinho, o mesmo empenho em minha formação cultural. A princípio, pode parecer que me tenha desinteressado dos grupos literários de Cataguases. Tal não se deu, ocorrendo apenas um fato curioso: os integrantes dos movimentos literários daqui eram bem mais velhos do que eu, o que me intimidava. Além do mais, não me sentia com vocação literária que me permitisse integrar-me entre os intelectuais de minha terra. FORMAÇÃO E POLÍTICA Em minha formação, além das influências familiares já assinaladas (pais, tios), assinalo a presença de três professores: Joaquim Silva - História; Geraldo Rodrigues, ex-aluno do Caraça - Conhecimentos Gerais; San Tiago Dantas - Direito. Foram pronunciadas as influências familiares, em sentido genérico e específico. Meus parentes em geral e meus pais em particular mantinham constantes diálogos comigo, comentando livros e matéria jornalística, o que provavelmente me estimulou o interesse pela coisa pública em geral. Meu interesse pela Política sempre significou maior apego ao trato da coisa pública e sua análise do que atração pelas picuinhas ou tricas de bastidores. VIDA NO INTERIOR Na amenidade do trato familiar, raramente, ou quase nunca, os assuntos deixavam de ter como núcleo temas de natureza geral. Um dos aspectos positivos da vida no interior pode ser considerado o convívio entre os moradores, quase todos vizinhos, na cidade de pequenas dimensões. Ter os pais com que o destino me presenteou e haver recebido os ensinamentos que me proporcionaram, devo confessar ter sido a dádiva maior, esta sim, pode ser afirmada como o exemplo fundamental e a herança mais significativa de minha existência. A CARREIRA Nunca meus pais procuraram influir na escolha da carreira que viria a abraçar. Fui advogado por escolha própria e obtive razoáveis êxitos profissionais. A tendência para a História de Cataguases decorre do amor que meus pais me legaram pelo nosso torrão. O mérito e o significado que a biografia "Astolfo Dutra: um líder mineiro na República Velha" possa ter deitam raízes no hereditário amor à terra. É com grande pesar que registro o falecimento desse grande cataguasense que foi Astolfo Dutra Nicácio, um homem de convívio agradável, talentoso e principalmente dono de uma escrita elegante e correta, e que agora perdemos.

12/20/2021

UM FICCIONISTA DE LOND

Joaquim Branco
Kafka na cama, de Jair Ferreira dos Santos, marcou em 1980 a estreia de um escritor cuja trajetória já dava para antecipar como das mais auspiciosas para a literatura brasileira. Reuniu o autor sete contos (a rigor, seis contos e uma novela), que, numa primeira abordagem, apresentam um divisor de águas que marca especialmente o conjunto das narrativas. Nascido no Paraná, região de Londrina, Jair Ferreira dos Santos transferiu-se na década de 70 para o Rio, e esse ponto divisório, marcado pelo eixo Londrina/Rio, atua como fulcro, ora dividindo os caminhos da narração, ora propondo rotas para uma visão crítica. Daí derivam duas ficções – advindas das ambiências, dos personagens, do plot – a influir na própria linguagem e esta em cada estória. Do eixo Londrina, vem a primeira, uma ficção de temas, ação e traços da província (a família, no fundo), terreno em que a introspecção se sedimenta sob um léxico forte e bem jogado. "Mais para Gardel do que para o bardo inglês", "Sextuor: o pai" e "Anjos" estão desse lado do rio. A província – e não o regional conduzindo ao “facilmente” social – aí pulsa, “torpe, mas hílare”, como nestes fragmentos: “À noite, em casa, pensei que diante dos filhos o casal se recuperasse moralmente. Pobre de mim! Separados são sórdidos, perto são pérfidos. Fogo e gelo.” “Pouca água correu. A vida aqui, não é preciso ser nenhum Houdini para adivinhar, segue naquele ritmo pantanoso de sempre. De tão pequenas que nem dá gosto mencionar, duas novidades: voltei a estudar violão e estou com hemorróidas.” Nas descrições, a terra e a natureza recriam-se plasticamente e por si sós, movendo-se ora e vez pelo olho atento de uma câmera invisível: “Logo o sol dará à cidade, no horizonte, a aparência arenosa de um traço a pastel, um aceno. Mas ele é rijo e sem olhar para ela segue a caminho do Sul.” Ou nesta visão meio nostálgica, um tanto à Salinger e/ou Saroyan: “Havia guerra do outro lado do mundo e fora por ruas diferentes daquela terra vermelha, forte, barrenta, que ambos tinham chegado a L., em meados dos anos 40.” Mais adiante a província se abre inteira dentro do cotidiano: “...coisas na memória dela amontoadas ao acaso como cartas de jogar, eles tiveram mesmo de se casar, para acabar com os falatórios e os rubores do seu corpo.” A dedicatória do livro reforça mais ainda a preocupação do autor com a dualidade província-metrópole, quando os advérbios aqui e lá introduzem e separam as homenagens ao clã local e aos novos amigos do Rio. Mas de novo nos fixamos no filão de Lond.(ou Land. ou Londrina). Aqui, subjacente, um caminho se percorre e se desdobra mais uma vez: o do romancista que pode surgir e que nos parece de fôlego e correnteza represados em "Sextuor: o pai". Os diques colocados nesta novela à maneira de divisões de capítulos são marcas de condensações de um romance que só deixou de crescer para se acomodar ao livro como conjunto de 'contos reunidos'. Embora não deixe de compor um todo orgânico com os demais contos, "Sextuor: o pai" é em si um painel completo (mesmo comprimido) para onde convergem todos os dramas que a província amesquinha e amplifica. “É vivendo aqui em Land., que só tem a crescer na sua mediocridade. Dezenas de casais como nós enfiando a cabeça pelas frestas dos baronetes do café.” Também é ao falar da terra que vêm as melhores descrições da paisagem paranaense, e é nelas que o autor deixa transparecer a vocação poética: “Neblina como echarpes preguiçosas na copa das árvores à margem da lagoa. Depois vinha o sol branco, sorridente, cheio de revelações. Os pastos, as vacas, as amoreiras”. E mais ainda as descrições vão se adensando para brilhar na noite: “É noite, meu pai. Lá fora, para nosso embevecimento, há um céu de maio que parece sustentar-se apenas na sua pureza, com uma Lua cabeceante a leste entre duas constelações. Estamos em Touro, sob o domínio suave de Vênus. Hydra navega desdenhosamente próxima de Leo, enquanto Antares, no centro da noite, brilha girando sobre si mesma como uma noiva em festa. Eis a trama dos astros para o fim desse outono de nossa desesperança.” Em busca da vida em seus detalhes, o ficcionista procura definições, sonda nuances, “na calma febril da memória, com aqueles anos destroçados entre os dedos, anos sem clareza, sem destino e que, se tinham sido perdidos tão abusada, tão levianamente, pelo seu pendor a culpas à menor sombra de logro ela merecia que não lhe trouxessem alento nem proteção contra a morte pestanejante às suas costas.” Outras vezes Jair Ferreira tira do prosaico o poético ou o prosaico dele mesmo: “A cozinha com suas facas de dois gumes.” Ou aqui, meio à Oswald de Andrade: “Os requintes dela tinham sido vestidos de crepe, sianinha, sutache, tailleurs de linha para casamentos e batizados, boleros para esporte e às vezes um turbante enrolado com jeito e romantismo meio a uma nuvem de talco Ross e água-de-colônia.” Em Lond. estava centralizada a vida da burguesia do café e da terra roxa do Paraná, e ali novas relações se faziam: “Nascer em Land e ser artista de teatro. Só faltava essa. Diverte-se porque Ariel não é capaz de imaginar a mulher que for sua mulher sem cozinha de aço, aspirador de pó, seguro de vida e uma reconfortante conta conjunta como prêmio para proezas na cama.” “Já tem morte de sobra rondando sobre nós. Sinto. Morremos em nossa família. Dois irmãos há muito tempo. Por isso mesmo, já era hora. Dois ciprestes bem altos atrás do túmulo deles. No outono ficam escuros e tristes. Ariel prometeu pintar o túmulo para novembro. Longe demais.” A outra parte anteriormente mencionada – constituída por "Dan & Dan: exercícios de Narciso", "De tarde", "Kafka, na cama", "Joel Sad ou Week-end mais ou menos à Saroyan" e "Xique & Jô/Ousada pecinha fratricida" –, pertence a uma linha urbana. É a vertente carioca. Esses contos mostram uma sintaxe peculiar que é a teia em que corretamente se “inscreve” e acontece sua narrativa curta. E o circuito se transforma num jogo em que um gato e seu dono – Dan e Dan – se enrolam numa amizade perfeita, no conto "Dan & Dan: exercícios de Narciso", de todos o mais bem realizado no plano da linguagem. “(...) não era nem persa nem angorá nem siamês nem espanhol, mas um preguiçoso novelo de pelúcia cor-de-rosa (Dan tingira-o) acidentalmente estendido sobre ossatura e vísceras de procedência ignorada.” De tarde, Kafka, na cama, de fachada erótica, transmite a todo tempo um humor resvalante para o cinismo: “– Vocês têm filhos? – Não e não é triste. Seriam pessoas a mais a quem mentir. – É sempre assim com você? Não há nada que você aceite sem bancar a serpente? – Uma boa cama.” Em "Joel Sad", há o encontro do personagem-título com o guarda do aeroporto e o tête-a-tête com a prostituta. Merece transcrição. “(...) ele teve de se recompor quando achou que o guarda do portão de embarque, com a fatalidade de uma máquina a realizar o seu trabalho, caminhava na sua direção. O guarda passou. A ansiedade ficou. Relax, imbecil. Liberdade não é vigia. O guarda do guarda. Ad infinitum." “Ela tirou a roupa com a rapidez de ilusionista e o que era mulher converteu-se numa ave gorda, implume, tatuada do joelho à nuca com tranças de celulite.” E o diálogo cortante, com a saída pela tangente: “– Você tem mãe? – Mãe está fora de moda – não sabia por que respondeu Joel.” A Joel restava – no abandono de um dia inteiro vagando pela cidade grande – ver a “decolagem de aviões no Santos Dumont. Arrebatado por eles, pelo seu dom de repouso no ar, talvez recuperasse um pouco a tolerância consigo (...)” Quase todo num diálogo acre é "Xique & Jô/ousada pecinha fratricida", em que os personagens são um corcunda paralítico e seu periquito, em clima surreal. “Jô: Aquecimento, Xique. Circuit training. Poesia faz bem. É a ginástica da alma. Xique: E a fome? Jôz: É a prosa.” Ou ainda na definição de Jô: “A felicidade. A velha cenoura que apodrece cada vez mais longe do nariz. Quem disse que eu quero ser feliz?” E neste que poderia ser um desfecho, com pano rápido, no auge do pessimismo: “Xique: Eu te mato (vários soluços) Jô: Você não me faria esse favor (...)” Com “Kafka na cama”, Jair Ferreira dos Santos pode – pela qualidade de texto, pela criatividade na criação e pela acuidade com que produz suas cenas e personagens – ser considerado um dos melhores ficcionistas da atualidade. Bibliografia: SANTOS, Jair Ferreira dos. Kafka na cama. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.

12/18/2021

"O MUNICÍPIO DE CATAGUASES" - 1908-2021


 





























EXPOSIÇÃO DE POEMAS VISUAIS "R FOR REVOLUTION" - 2021

R FOR REVOLUTION A equipe do Visual Poetry Museum orgulhosamente inaugura a exposição Internacional (virtual) de Arte Postal "R for Revolution", com curadoria de Tchello d’Barros, apresentando obras de 111 artistas de 30 países. SOBRE ESTA EXPOSIÇÃO Os artistas participantes responderam - com as suas obras - à seguinte provocação: “Há ainda espaço para revoluções? Existe em seu coração alguma revolta contra o status quo atual? Precisamos mudar algo em nossa rua ou na geopolítica global? A humanidade testemunhará alguma (r)evolução neste século? A arte pode ser uma arma para transformar consciências? Você não precisa responder a essas perguntas, mas sua arte pode nos dizer um pouco sobre seu aguerrido imaginário. O projeto é também um tributo ao bicentenário da revolucionária brasileira Anita Garibaldi (1821-1849), a "heroína de 2 mundos". Anita foi amazona, esposa, mãe, guerrilheira e revolucionária, tendo lutado em 4 guerras no Brasil, Uruguai e Itália. Segundo o curador, “esta mostra apresenta parte do imaginário de artistas de todos os continentes a partir de sua visão de mundo para o tema 'Revolução'. Se no Séc. XIX a ativista brasileira Anita Garibaldi lutava pela liberdade na América do Sul e na Europa, hoje temos nossas próprias demandas por mudanças, seja em nossa rua ou na geopolítica global. Que a arte seja tão contemporânea quanto as revoluções cotidianas em nossas consciências ”. ARTISTAS PARTICIPANTES ARGENTINA: Alejandra Bocquel - Amelia Vilches - Ana Verónica Suárez - Catanzaro Claudia - Hilda Paz - Ma. Angélica Carter Morales - Norberto José Martinez – Omaromar - Patricia Negreira - Raquel Gociol - Rosa Gravino - Walter Brovia | AUSTRALIA: Denis Smith | AUSTRIA: Piroska Horváth | BELGIUM: Luc Fierens - Renaat Ramon | BRASIL: Al-Chaer - Alex Hamburger – Almandrade - Frdipinto Constança Lucas - Denise Moraes - Eni Ilis - Gringo Carioca Franklin Valverde - Guto Lacaz - Hugo Pontes - Iara Abreu - Ivana Andrés - Jairo Fará - Janys Oliveira - Joaquim Branco - Maria De Lourdes Rabello Villares - Maria Tereza Penna - Marisa Vidigal - Mercedes Brandão - Roberto Keppler - Rosana Schmitt - Rui Costa Marques - Tchello d'Barros - Yolanda Freyre | CANADA: Amanda Earl | CHILE: Emilio López Gelcich | COLOMBIA: Ariel Chavarro Avila - Maskin - Tulio Restrepo | DENMARK: Marina Salmaso | FINLAND: Anja Matilla-Tolvanen | FRANCE: Cristophe Massé - Katerina Mandarik | GERMANY: Hans Braumueller & Ruggero Maggi - Horst Tress - Klaus Pinter | GREECE: Petala Eftichia | HUNGARY: József Bíró - Márton Koppány | ITALY: Angela Caporaso - Bruno Chiarlone - Cinzia Farina - Claudio Romeo - Cosma Tosca Bolgiani - Enzo Correnti - Enzo Patti - Franco Panella - Ljdia Musso - Mariano Lo Gerfo - Maya Lopez Muro - Morice Marcuse Carrara - Oronzo Liuzzi - Roberto Scala - Ruggero Maggi - Serse Luigetti | IRAN: Elham Hamedi | JAPAN: Keigo Hara | LATVIA: Gundega Strautmane | MEXICO: Elodia Corona Meneses - Gema Rios - Mac Ilhui - Persefone Manuel Oreste Suárez - Sergio Araht | PERU: Liesel Cerna - Victor Valqui Vidal | POLAND: Miron Tee | PORTUGAL: António Barros - Avelino Rocha - Feliciano De Mira - Marcela Santos - Vanessa Bastos | RUSSIA: Alexander Limarev - Irina Novikova | SERBIA: Dejan Bogojevic | SPAIN: Àlex Monfort - Alfonso Aguado Ortuño - Daniel De Cullá - Francisco Sánchez Luz - Ferran Destemple - José L. Campal - Miguel Jimenez - Sabela Baña - Victoria Esgueva | SWITZERLAND: Bruno Schlatter | URUGUAI: Clemente Padin | USA: C. Mehrl Bennet - Joey Patrickt - John M. Bennet - Nico Vassilakis - Reid Wood - Rosalie Gancie | UNITED KINGDOM: Lola Gonzáles | VENEZUELA: _Guroga SERVIÇO Exposição Internacional (Virtual) de Arte Postal ‘‘R for Revolution” Curadoria: Tchello d’Barros | Brasil Instituição realizadora: Visual Poetry Museum Produção: Instituto Cultural Tchello d’Barros Inauguração: 18 Dez.2021 Visitação: 18-31.Dez.2021 Site: Visual Poetry Museum no Facebook Links: https://www.facebook.com/groups/181520088856020 https://www.facebook.com/visualpoetrymusem https://www.facebook.com/tchellodbarros CONTATO Tchello d’Barros Curador | “R de Revolution” tchellodbarros@yahoo.com.br www.tchellodbarros.wordpress.com Rio de Janeiro - Brasil Imagem incorporada

11/25/2020

MACHADO DE ASSIS E A CONSCIÊNCIA NEGRA


MACHADO DE ASSIS E O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Ao tomar conhecimento de que hoje é o “Dia da Consciência Negra”, veio-me à mente um conto de Machado de Assis “Pai contra mãe”, que trata justamente do tema da escravidão, e este me levou aos problemas que os negros sofrem com o preconceito até hoje no país.
Neste conto, Machado narra a triste história de Cândido Neves, um homem pobre casado com Clara e que, por dificuldades financeiras, tiveram que morar com Mônica, tia de Clara. Apesar das penúrias que passavam, Cândido e sua mulher resolveram ter um filho.
Os problemas aumentaram com o nascimento do filho e com os aluguéis atrasados que deviam, levaram um dia Cândido ao desespero, e a conselho da tia, resolveu levar o filho para a chamada “Roda dos Enjeitados”, um local no Rio de Janeiro que recebia crianças cujos pais não tinham condições de sustentá-los.
Antes, porém, de entregar o filho como enjeitado, Cândido parou numa farmácia, onde soube que havia uma recompensa para a captura de uma escrava fujona de nome Arminda. Pediu ao farmacêutico para tomar conta do seu filho e
“(...)foi então que lhe ocorreu entrar por um dos becos que ligavam aquela à rua da Ajuda. Chegou ao fim do beco e, indo a dobrar à direita. Na direção do largo da Ajuda, viu do lado oposto um vulto de mulher: era a mulata fugida. (p. 492)
Gritou por ela, que atendeu ao chamado e logo amarrou-a pelos pulsos. Esta pediu então que a soltasse pelo amor de Deus. “– Estou grávida, meu senhor! Exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte; eu serei sua escrava.” (p. 493)
Cândido não retrocedeu e arrastou-a impiedosamente pelas ruas até a casa do seu senhor. Mas o desespero da escrava foi tão grande que ficou arquejante e caiu no chão, abortando o bebê. Cândido recebeu os cem mil réis da recompensa e foi pegar o filho na farmácia, indo depois para casa comemorar a vitória.
O conto termina machadianamente com a frase de Cândido Neves que fala para si mesmo como se tentasse se convencer pelo ato: – Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração.” (p. 494)

ASSIS, Machado de. Pai contra mãe. In: Contos/Uma antologia, vol.lI. Org. John Gledson. São Paulo: Cia das Letras, 1998, p. 483-494.


 

UM RIO IMITA O POMBA


 


UM RIO IMITA O POMBA
Há autores que despretensiosa ou pretensiosamente procuram indicar ao crítico e/ou ao leitor o caminho a seguir para a possível análise/leitura de sua obra, antecipando de que se trata etc. etc.
É o que ocorre, de certo modo, com o escritor Washington Magalhães, que há dias me enviou seu novo livro “Rio Pomba – um rio meu/seu/nosso”, e me previne: “É um trabalho jornalístico / técnico / didático. Nada mais que isso”.
Penso assim: um livro é um livro e nele o resenhista vê e escolhe um ângulo ou os vários que pretende abordar: o informativo, o descritivo, o literário, o filosófico, o histórico etc., e um bom livro sempre contém uma variedade de abordagens. Além disso, é como se diz: a sorte está lançada. Uma vez editado, lá vai o livro cumprir sua trajetória...e o autor perde o controle sobre sua obra.
Acrescente-se ainda que me surpreende o fato de uma pessoa extrovertida como o Washington temer se lançar ao literário por motivos que desconheço. Começo então por dizer que esse livro sobre o rio Pomba tem os ingredientes necessários para ser considerado um documento de literatura, e que seu autor fique tranquilo quanto a isso.
No roteiro dos capítulos, começando por documentar a água como vida e valor, Washington passa por uma espécie de biografia do rio e suas agruras, chega às leis que regem sua existência, às questões ambientais, percursos, questões econômicas, históricas, literárias e até educacionais.
Quanto a isso, a obra informa bastante, e para isso o autor faz uso de pequenos capítulos e uma sintaxe rápida que tornam a leitura fluente literalmente como rio, o que me sugere uma boa solução, em especial para o meu gosto.
Mas o que vou ressaltar aqui são os pontos em que o texto se mostra mais criativo nas imagens criadas pelo autor, e é aí que está a chave da minha leitura crítica.
No capítulo “Pomba, um rio”, o descritivo pede ajuda ao poético, e este comparece: “Um rio nasce de um olho d’água. De riachos e minas que brotam da terra como se estivessem fugindo dos aquíferos, dos lençóis freáticos, das bacias hidrográficas. A altitude lhe dá gravidade para correr ‘rio abaixo’. Aí esses olhos d’água, esses riachos, esses ribeirões vão se juntando até virarem um rio.” (p. 25)
Ou quando narra de modo direto e simples o paradeiro de seu trajeto: “A partir daí ele se junta ao rio Paraíba do Sul que segue majestoso em direção ao Oceano Atlântico.” (p. 28)
Às vezes o descritivo-narrativo aproveita para mostrar aspectos das cidades por onde passa o Pomba, deixando entrever a beleza e o pitoresco dos locais:
“E o rio segue, tangenciando parte do território do município de Descoberto onde as águas represadas ocupam áreas importantes. Descoberto também tem suas características de cidadezinha do interior mineiro. Casario de outros tempos e uma bela praça com suas topiarias sempre bem cuidadas. Descoberto visto da estrada parece estar pregado na montanha.” (p. 32)
Uma dica final para o autor: deixe de se autolimitar e vá em frente como esse rio que avança com suas pedrinhas e arranhões, pois isso tudo faz parte de um processo que você conhece tão bem como escritor que é.
O rio que imita o Pomba é um outro rio que está na memória e que foi e é fonte de inspiração dos Ronaldos, Pedros, Chiquinhos, Washingtons, Lecys, Cagianos e outros que registraram no papel suas diferentes e criativas emoções para os nossos leitores.



10/23/2020

SORTILÉGIO

 


 SORTILÉGIO

Joaquim Branco

 

Interlúdio? Magia? Romance? Casos? Histórias?

Por certo é um Romance, no sentido mais verdadeiro e técnico do termo. Há que se pesar inclusive a presença da narrativa em capítulos, do narrador ora em primeira pessoa, ora em terceira, dos personagens e da massa textual bem trabalhada, em muitos pontos até poeticamente, como se poderá ver nos fragmentos que coletei.

Tudo isso enforma o livro ora apresentado: “A perfumista da noite”, de Leila Lúcia Gomes Martins; como ela diz: “são anos, em uma noite” (p. 16) ou em uma leitura.

O romance – e o próprio título antecipa –  é transpassado por fragrâncias tiradas das flores e da vegetação em geral, impregnando o ambiente, as cenas e até os personagens: “Cada um tem sua fragrância, mostra Abgail (a protagonista). Cada um é especial!” (p. 18)

Há fragmentos um pouco mais tocados por um lirismo dosado às vezes mais marcadamente pela narradora: “Quando se conhece o caminho, tem-se os pés eternamente tatuados pela felicidade.” (p. 13) Ou em seguida: “Permita-se abertura para os sonhos; esta é a fórmula. Abrir-se todas as noites, amar-se em todas as manhãs, tocar-se com todo o sol e por ele e com ele se apaixonar, se misturar e ser um só.” (p. 13)

Na preparação do enredo, há toda uma mística com que o leitor pode demorar um pouco a se acostumar, até o fecho inicial que combina com a noção de dia: “Assim a manhã se deu por acabada.” (p. 15)

Daí em diante, surgem um a um os personagens recebidos por Abgail. A primeira é Maria Soledade. Inicialmente o contato é logo na entrada da estranha na perfumaria, e vem por meio de perguntas que a perfumista faz para identificar qual o perfume adequado para cada cliente, pois ela já sabe que precisa encontrar, com o perfume, a cura para cada pessoa que a procura.

No capítulo “No país das maravilhas”, tudo parece sonhado e transferido para as roupas do personagem: “A terceira saia era o céu esmaecendo, e o azul perde-se no caminho. [...] A cada passo um instante e uma eternidade. Como podem-se dar tão bem o instante e a eternidade?” (p. 22)

Reflexões surgem a cada instante, quase sempre através da protagonista: “Sinto mesmo que pessoas que não acreditam em Deus usam do nome d’Ele o tempo todo para negociar.” (p. 36)

Ao final do capítulo 18 – “Culto e oração” – em meio ao litúrgico e o social, o poético absorve a cerimônia do padre para arrematar: “Entre leitura e interpretação, esmiúça-se um coração!” (p. 45)  

Às vezes os dias transcorrem normais, mas de repente as coisas mudam; entra alguém (Justina) pela porta da perfumaria e vem a oportunidade da constatação da protagonista, como a responder a uma pergunta: “Porque ninguém sofre sozinho. Porque jamais estaremos sozinhos. [...] Estava agora sozinha e, talvez assim, muito bem acompanhada.” (p. 55)

Para cada caso – e esse é o movimento das cenas do romance –, Abgail apresenta uma solução que pode estar até na noite bem dormida da personagem: “Seu sonho não acabou, pois eles nunca se acabam, apenas esperam por nós, escondidos nos travesseiros, e, se não o acolhemos pela manhã, eles aguardarão pela manhã do dia seguinte, pois sabem que, mais dia menos dia, precisaremos deles e eles jamais nos faltarão.” (p. 61)

Os clientes-personagens vão se sucedendo a cada capítulo. Quitéria, à procura do filho desaparecido, aceita até fazer o impossível, e, com Abgail, entra num “buraco da parede e dão início à caminhada. O buraco é escuro, mas o caminho é luminoso. O caminho é sinuoso, cheio de curvas, ora para a direita, ora para a esquerda.” (p. 70)

A libertação termina ali mesmo, com a confissão de Quitéria: “Pude sentir que dentro do portal tinham muitos filhos e não só o meu: não retornei apenas pelo meu, mas pelos nossos.” (p. 71) O que permite à narradora fechar o capítulo: “O sol somente não brilhará onde você permitir que a escuridão se instale. Um sol para Quitéria!” (p. 71)

À medida que aparecem os desafios, esses vêm sempre em forma da chegada de mulheres em cada parte da narrativa: “Abgail sugere a Cátia: – Vamos conversar mais e a nossa paz estará estabelecida. – Nossa paz? – Nossa. – Não tenho paz se você não a tem.” (p. 75)

Vai terminando o capítulo com a tranquila Abgail virando-se para Cátia,: “– A doença não vai abandonar você: você é quem vai abandoná-la, mas sem rancor.” (p. 77)

Pelos 43 capítulos do romance, desfilam Georgiana, Quitéria, Maria, Nádia, Leonor, Bibiana, Floroteia e muitas mais, diante das quais a protagonista apresenta soluções mágicas para as dores de cada uma: “E o que é o Mal? As sombras! As dores! As mentiras! As humilhações! As dúvidas! Os braços cruzados e a falta de braços! As portas fechadas! As portas fechadas e a necessidade crucial de entrar. Os lábios cerrados e a guerra que por um sorriso poderia cessar.” (p. 88-89)

A mulher “segue até o rosto e então por algum tempo se energiza para socorrer a mulher que aguarda por ajuda. Seca as mãos e o rosto na fina tolha de linho branco com bordados de crivo da mesma cor. Retoca o batom cor de boca e segue para a batalha de moldura bíblica”. (p. 106)

São marcantes as saídas encontradas na narrativa, como esta que se vale novamente do componente poético em som e ritmo: “Temos um barco, temos remos, o mar está calmo, o vento sopra a favor e o sol é nosso convidado. Só nos resta aprender a navegar.” (p. 109)

O ponto alto do livro é o capítulo 38, que narra o encontro mais esperado ou mesmo inesperado entre a protagonista Abgail e seu marido. Trata-se da renovação para valer de uma relação desgastada e que aí ressurge e torna-se plena. Abgail e Pedro Henrique vivem uma noite de redenção, que a narradora sintetiza nestas palavras: “...e o sol, pretendendo se eternizar nesse instante, não perde a oportunidade. Tatua-lhe no tórax o calor das horas. O sol se emociona em fazer parte dessa história. Então foi escorregando de mansinho e assim dá a luz a outra história, do outro lado do mundo.” (p. 140)

Os capítulos finais são reservados para a morte da narradora, o que repercute fisicamente no livro que agora tem as páginas totalmente brancas como se estivesse pronto para o início de uma nova obra.

Abgail morre aos 93 anos e aplaude a autora Leila Lúcia Gomes Martins, terminando assim o romance metalinguisticamente: “Eu não poderia faltar a este encontro. Porque deste encontro eu fui apenas o elo, mas precisava estar lá. Abigail ainda possui os braços repletos de sementes. Ainda bem que hoje tem sol!” (p. 150) 

 

 


10/10/2020

PASSAGEM PARA A MODERNIDADE - lançamento de livro - 7 setembro 2002


O livro "Passagem para a Modernidade" teve seu lançamento no dia 7 de setembro de 2002, no Instituto Francisca de Souza Peixoto, em Cataguases MG, em conjunto com o livro de Luiz Ruffato, "Os ases de Cataguases". Capa de Dounê Spinola.


"Esta obra vem preencher uma lacuna nos estudos de Literatura Brasileira, ao trazer à tona a memória do movimento Verde, que revolucionou o pensamento estético dos anos 20 no interior mineiro, estendendo-se além das fronteiras nacionais.

A significativa presença do movimento Verde, nascido em Cataguases, no interior de Minas Gerais, até os nossos dias, ali vem desencadeando várias outras tendências estéticas e culturais, revelando uma face antagônica desta cidade-monumento da modernidade.

Nestas páginas, Joaquim Branco recompõe os momentos significativos da história do pensamento modernista, nascente nos anos 20, em Cataguases, pacata cidade que marcou presença nessa “passagem” para uma nova história do pensamento artístico e literário brasileiro e universal. (....) "(Francis Paulina, ensaísta e professora aposentada da UFV - Universidade Federal de Viçosa)