10/04/2020

TRIBUTO A AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

Professores recepcionam o autor

 


No dia 01-09-2000, apresentamos com a turma do 4º ano de Letras da FIC uma teatralização de um poema de Affonso Romano de Sant'Anna, por ocasião de sua vinda à faculdade de Cataguases, por iniciativa da professora Idalina de Carvalho e do Departamento de Letras. Música: Rogério Gravina. Criação/Direção: prof. Joaquim Branco.
O "Poema para Medgar Evers" foi escrito nos anos 60, provavelmente no período em que Affonso Romano esteve nos Estados Unidos trabalhando numa universidade.
É um libelo antirracista de grande beleza, dedicado ao líder negro Medgar Evers, assassinado pela entidade racista Ku-Klux-Klan.




Transcrevo o poema de Affonso Romano:

POEMA PARA MEDGAR EVERS
Sound
Our
Soul
- bell

Sound
Our
Soul
- bell

Sound
Our
Soul
- bell

Em algum ponto do mundo é noite
e um homem negro tomba morto.

KU
KLUX
KLAN
- Alabama

KU
KLUX
KLAN
- Aleluia.

Negra
noite
oculta
a fala.

Negro
corpo
oculta
a bala.

Negro forro
é negro
morto.

KU
KLUX
KLAN
- Alabama

KU
KLUX
KLAN
Aleluia.

O senhor é meu pastor
HALLELUIA! HALLELUIA!
mas um lobo me atacou
HALLELUIA! HALLELUIA!
No vale da escura noite
HALLELUIA! HALLELUIA!
Meu corpo se amortalhou
HALLELUIA! HALLELUIA!
sobre as taças do inimigo
HALLELUIA! HALLELUIA!
o meu sangue transbordou
HALLELUIA! HALLELUIA!
O Senhor é meu pastor
HALLELUIA! HALLELUIA!
mas um branco me matou
HALLELUIA! HALLELUIA!

KU
KLUX
KLAN
- Aleluia

KU
KLUX
KLAN
- Alabama.

No Alabama
é onde o homem é menos homem,
é onde o homem quando é branco
- é lobo e homem
e o homem quando é negro
- é lodo e lama.

No Alabama
um homem quando é negro
sabe que seu sangue porque é negro
é drama

e cedo ou tarde pelas pedras
se derrama.

No Alabama
é onde o homem é menos homem.
Dali é que nos chega
o sangue inscrito em telegrama.
Dali é que nos chega
um nome que era negro e escuro
e que agora se transfunde em pura chama.

KU
KLUX
KLAN
- Aleluia

KU
KLUX
KLAN
- Alabama.


FAFIC
1º set / 2000

A acadêmica Luana apresenta o poema



Paula Reiff na dramatização do poema


Joaquim Branco e Idalina de Carvalho justificam
a importância da vinda do escritor




Affonso entre intelectuais


Almoço em homenagem ao autor

9/24/2020

POEMA PROCESSO



 Livro editado pela Galeria Superfície, em São Paulo, organizado/pesquisado por Gustavo Nóbrega, com farta documentação sobre o Poema Processo, movimento que surgiu em 1967 no Rio de Janeiro, com Wlademir Dias Pino, Moacy Cirne, Álvaro e Neide Sá, e que rapidamente se expandiu por todo o país, por meio de núcleos de poetas em vários estados.

A edição tem mais de 300 páginas, em formato grande, capa dura, encadernado.

Seguem algumas páginas com poetas de Cataguases que participaram: P.J. Ribeiro, Sebastião Carvalho, Plínio Filho, Ronaldo Werneck e Joaquim Branco.












9/20/2020

O ARQUIVO DE GIUDICE - minipeça teatral

 

Victor Giudice (1934-1997)

No Curso de Letras da FIC - Faculdades Integradas de Cataguases, fiz inúmeras apresentações teatrais com meus alunos, praticamente, nos 17 anos em que lecionei lá.

Em 2004 e 2011 foram 2 encenações do "Arquivo de Giudice", adaptada por mim, de um conto de Victor Giudice.

A primeira, com Luana, Maycon, Edcley e Betânia.

A segunda, com Magno e Tiago. Nesta tivemos palestra e show da professora e cantora Daniela Aragão.

Ambas com grande presença de público no salão da FIC.


Apresentando “O Arquivo”, de Victor Giudice

No século XX, surgiram algumas temáticas e formas literárias que refletiram as perguntas e aflições da humanidade nos tempos modernos.

Entre elas, destacam-se as obras de autores preocupados com a angústia do homem frente ao absurdo de problemas que originaram dos estados totalitários, das guerras, da burocracia e até da fome e da injustiça, essas velhas questões que sempre foram temas da literatura.

Dos autores brasileiros contemporâneos, escolhemos um: Victor Giudice e seu magistral conto “O Arquivo”.

Giudice, no seu processo kafkiano, destila uma ironia cáustica e ambígua, temperada por uma linguagem simples, mas condutora de uma enervação mimética e angustiante.

Este conto, além de fazer um percurso literário no Brasil com várias publicações, foi traduzido no exterior para 17 línguas e apreciado em inúmeras antologias, das melhores, internacionalmente.

“O Arquivo” será apresentado hoje por 2 alunos do 8º período de Letras: Tiago e Magno, que escolheram a sua forma mais adequada: o monólogo, em que a mímica e a narração se unem para dar ao texto sua expressão mais intensa.

Esta é uma homenagem que fazemos ao grande escritor e amigo recém-falecido Victor Giudice.

 

                                                        Joaquim Branco - 07.10.2004



Tiago e Mauro

Betânia, JB, Luana, Edcley e Maycon

Cena final da apresentação

Zezé Garcia, Mariana Cardoso (1ª fila);
Natália, Mariana e Sonia (2ª fila)





9/15/2020

O FAZEDOR DE LABIRINTOS - peça teatral




Peça teatral encenada no Colégio de Cataguases em 09-09-1989, às 20 horas, criada por Joaquim Branco sobre a vida/obra do escritor argentino Jorge Luis Borges, dirigida por Sonia Regina Tinoco.




Logomarca criada por Pedro Marcos





























Joaquim, Sonia Regina e Pedro Marcos
  




Lino, Odete, Ivan e Yara
Flávia e Yara

                                         


Manoel

                                

                       
Ivan
Synval

Odete
Marcelo, Mônica e Synval

                                    
Synval e Manoel
Lino e Ivan

                    



Yara e Synval

O poeta P.J.Ribeiro assiste a um ensaio da peça





Clóvis, Pedro, Aquiles, JB e Pathê




Marcelo, Mônica, Ivan, Odete, Lino (em pé)
Flávia, Synval, Yara e Manoel (sentados)




Os croquis feitos para a encenação


7/28/2020

PROCURA-SE




PROCURA-SE



Joaquim Branco


Quando todas as famílias forem atingidas o culpado será um
todas as famílias forem atingidas o culpado será um
as famílias forem atingidas o culpado será um
famílias forem atingidas o culpado será um
forem atingidas o culpado será um
atingidas o culpado será um
o culpado será um
será um
um


28-07-2020

7/27/2020

TEMPO E ESPERA (poema)










TEMPO E ESPERA

Joaquim Branco

Como os dias estão voando
e as semanas passando como vento
o outono vivendo pelo inverno
a primavera se exasperando
enquanto o verão nos espreita!

É a sorte de quem espera
e atrás da porta se aflige
um dia depois do outro
um mês após o seguinte
fingindo estar bem para
o ano que (para todos) vem.

Tudo isso será um segredo
que não convém guardar
a sete chaves ou com medo?
Virão ventos, retornarão dias
a se diluir nos meses fatiados
em breves melancolias
e diáfanos fins de tarde
para nosso porvir, afinal.

25-07-2020

7/23/2020

NO ARQUIPÉLAGO DE SECHIISLAND


Joaquim Branco



Na foto, o poeta José Roberto Sechi



A Sechiisland é um território poético onde moram José Roberto Sechi e seus poemas. São diferentes ilhotas constituídas de “pocket-books” com poemas produzidos artesanalmente e cuja tônica é a criatividade com as palavras em busca de conceitos e objetos os mais variados.

À primeira vista, os trabalhos de Sechi lembram os de Appolinaire do princípio do século XX, mas seus caligramas estão inseridos na maior parte das vezes numa noção de autenticidade, brasilidade e regionalidade que os diferencia dos do francês.

São poemas inscritos numa visualidade poética temperada com a chave do humor e da surpresa e se inscrevem na esteira dos projetos realizados pelo Concretismo, Poema-Processo e Arte Postal dos anos 60/70.

Em mãos tenho 4 minilivros editados em 2019 para 50 exemplares numerados e assinados pelo autor, constituindo o que ele chama de Sechiisland.

Os poemas se agrupam nas seguintes categorias: os que utilizam apenas palavras; os que usam sinais e símbolos; os que se apresentam apenas com letras; e os que se compõem de todos esses materiais. Mas todos buscam a palavra oculta ou semioculta em meio a uma avalanche de experimentações poéticas.

O leitor vai se surpreender ao tomar contato com a produção de José Roberto Sechi, pois inevitavelmente irá penetrar numa terra nova que exigirá dele algo também criativo, ao abrir-se para ele a paisagem diferente dessas pequenas ilhas do incrível Arquipélago de Sechiisland.

(23-07-2020)