10/21/2016
ENCONTRO COM ALUNOS DO COLÉGIO CARMO
DA POESIA DISCURSIVA À POESIA VISUAL
A convite do professor de literatura Humberto Mendonça da Costa, fui hoje, 21-10-2016, ao Colégio Carmo, de Cataguases MG, para um encontro com alunos do 3º ano do curso médio. Apresentei uma minipalestra sobre o tema "Da Poesia Discursiva à Poesia Visual", englobando os movimentos da Poesia Concreta, Poesia Praxis e Poema Processo dos anos de 1960 e 70, bem como os antecedentes e consequências desses movimentos.
Fotos Edivânio Felix Silva
10/10/2016
INTERMEZZO COM MADAME BOVARY
(artigo em forma de texto de criação tendo como partida o curso sobre "Teoria do Romance", dado pelo professor e teórico Luiz Costa Lima, no meu Doutorado na UERJ)
O romance Madame Bovary, publicado na França em 1856, marca o movimento realista e o ponto máximo da obra de Gustave Flaubert. É a estória de Emma Bovary, mulher entediada pelo casamento, que se mete em confusões amorosas e acaba por se suicidar, iniciando o drama burguês que substituiu as peripécias 'pueris' do Romantismo.
É uma narrativa em constante estado de "em processo". Nele, a iniciativa do personagem vira o rumo dos acontecimentos a toda hora, como nesta conversa que Emma, distante de seu marido Carlos, tem com um certo Rodolfo:
"Enfim, chegou o sábado, antevéspera.
Rodolfo veio à noite, mais cedo que de costume.
– Está tudo pronto? – perguntou-lhe ela.
– Sim.
Deram a volta a uma platibanda e foram sentar-se perto do terraço, à beira do muro.
– Estás triste – observou Emma.
– Não, por quê? – E, contudo, ele a mirava singularmente, com ternura.
– É por que vais partir – insistiu ela – por que deixas tuas amizades, tua vida? (...)" (1)
Emma procura um lugar no quarto para descansar em seus pensamentos. Lembra-se de um livro de cavalaria... Ah! Era o Dom Quixote, de um certo autor espanhol. Um romance (humm?) em que o cavaleiro não era galante e não se podia suspirar por ele. Isso a desvia do estado inicial. Lembra-se de que à tarde irá à 6ª Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, só para ver, em meio à multidão, a entrada de um escritor que estava sendo processado pelas “indecências” registradas no livro Madame Bovary. Os juízes e os críticos nos jornais discutiam também se aquele era um romance realista ou naturalista.
De uma das portas de seu boudoir, Emma (sou um personagem LIVRE! LIVRE!?), depois de andar por toda a casa, contempla um retrato de Homero lateralmente.
Pode-se folhear um livro de páginas meio amareladas e grossas pela poeira e ler sobre a insatisfação que vai rondando o personagem:
"Após o aborrecimento desta decepção, seu coração ficou de novo vazio, recomeçando a série dos dias monótonos.
Iam, pois, continuar assim, uns após outros, sempre os mesmos, incontáveis, sem surpresas! As outras existências, por mais insípidas que fossem, tinham, pelo menos, a possibilidade do inesperado. Uma aventura trazia consigo, às vezes, peripécias sem fim, o cenário transformava-se. Mas para ela nada surgia, era a vontade de Deus! O futuro era um corredor escuro, que tinha, no extremo, a porta bem fechada."(2)
A protagonista afunda no tédio, no nada prosaico-burguês, no redemunho do (seu) horror individual.
Flaubert encontra sua solução ficcional tornando artístico o banal, a ninharia. A arte autônoma e o personagem “individualizado” mergulham no cotidiano, só possível no romance.
O horror metropolitano a que aduz Luiz Costa Lima invade a tela, melhor dizendo, a folha branca, como “ponto de partida” (3) . Não impede, no entanto, a “ambiência tranquila” (4) que um nada avassalador tome conta do cotidiano de Emma e lhe subtraia o sentido da vida. O romance acompanha palmo a passo os acontecimentos. “O texto ficcional, em vez de dar as costas à realidade, a dramatiza e metamorfoseia” (5) para registrar o suicídio da protagonista no final do romance. Nesse ponto, este é um ato diferenciado do lugar-comum romântico pela motivação difusa e patética:
"Emma analisava-se curiosamente, para ver se sofria ou não. Mas não! ouvia o bater do pêndulo, o crepitar do lume e a respiração de Carlos, que se conservava em pé, à cabeceira.
– Que coisa insignificante é a morte! – pensava ela; – vou adormecer de novo e tudo acabará!" (6)
Mas, não precipitemos os acontecimentos, voltemos às primeiras páginas para ver a esposa de Carlos em visita a Paris, onde narra suas impressões “de dentro” do cenário grandioso em que contempla a burguesia ‘feliz’ no luxo de seu vestuário e dos locais ornados. O balanço crítico de Emma, em discurso indireto livre, em que mais se vê a mão do narrador, conta do aborrecimento e do tédio burguês em meio à feérica festa parisiense:
"Paris, mais vasta que o Oceano, resplandecia, pois, aos olhos de Ema, numa atmosfera vermelha. A onda enorme que se agitava naquele tumulto dividia-se contudo em partes, classificadas em quadros distintos. (...) O mundo dos embaixadores caminhava por assoalhos luzidios, em salões forrados de espelhos, ao redor de mesas cobertas de tapetes de veludo com franjas de ouro. Havia ali vestidos de cauda, grandes mistérios, angústias disfarçadas em sorrisos. (...) Era uma existência superior às outras entre o céu e a terra, nas tempestades, alguma coisa de sublime. Quanto ao resto do mundo, desaparecia, sem lugar determinado, e como se não existisse.
Quanto mais próximas lhe ficavam as coisas, mais o seu pensamento se afastava delas. Tudo o que a rodeava de perto, os campos enfadonhos, os burguesinhos imbecis, a mediocridade da existência, parecia-lhe uma exceção no mundo, um caso particular em que se achava envolvida, ao passo que para além se estendia, a perder de vista, o imenso país da felicidade e das paixões." (7)
Fica melhor assim. Um final não tão infeliz. Sair do drama para adentrar na cena burguesa. Terminamos com um fragmento que envolve, como um cortinado de veludo, luzes, pesados tapetes e pensamentos inebriantes, a todos nós e ao próprio texto flaubertiano, rendado ficcional da mais refinada expressão oitocentista.
REFERÊNCIAS:
1 FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. Trad.Araújo Nabuco. São Paulo: Martins, 1957, p. 205.
2 ______. Ob. cit., p. 69.
3 COSTA LIMA, Luiz. O Redemunho do horror - As margens do Ocidente. São Paulo: Planeta, 2003, p. 21.
4 _____. Ob.cit., p. 21.
5_____. Ob. cit., p. 18.
6 FLAUBERT, Gustave. Ob. cit. p. 324.
7 ______. Ob. cit., p. 64-5
(resumo de meu trabalho apresentado no curso de Doutorado na UERJ).
9/18/2016
DE VOLTA AO PASSADO
DE VOLTA AO PASSADO
Joaquim Branco
As viagens literárias são as mais fruitivas, dizem alguns, porque a imaginação voa livre de empecilhos ou mal-estares. Não há atrasos, contratempos ou enganos. Existe, entretanto, o perigo da verossimilhança, esse gigante que nos assalta quando, entre o imaginado e o descrito, algo nos escapa ou excede no dizer.
No caso do texto a seguir, nada disso acontece. O poema “Encontro”, de Lina Tâmega Peixoto, é resultado de uma viagem feita por ela aos Açores para percorrer o caminho que seu tio Francisco desejou percorrer e não o fez. Lina viajou e escreveu estes versos, dedicando-os à memória do patriarca Manoel Inácio Peixoto, aquele que um dia transpôs o Atlântico em busca de uma vida nova no Brasil, como fizeram muitos de seus conterrâneos.
A nós, leitores, cabe o melhor da viagem: a leitura e a navegação em versos elaborados com a maestria e o bom gosto de quem sempre sabe o que faz.
ENCONTRO
Lina Tâmega Peixoto
À memória de Manoel Inácio Peixoto
"Tenho agora uma única obsessão: ir ao Açores em busca
das origens" (Francisco Inacio Peixoto em carta de 8/4/80)
Morei nos Açores por uma semana, eternamente.
A ilha construída
da forma mineral da noite
circunda o ar navegado no oceano.
Nela, desembarquei no cais
de onde o avô havia partido.
Lugares, ancestrais, afeto
são coisas arrebatadas à vida
e corroídas de invenção.
Conta a família, para aumentar o infinito,
a travessia do pai,
ainda menino, cortando sozinho
as vagas de suor e medo
repetidos rumos de começo e fim.
A calçada, acertos de floração vulcânica,
leva à Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa
e me desconcerta ver dormida a luz
nas mãos da santa.
A pia de batismo, manchada de limo,
ainda úmida ao toque dos dedos,
embaça a esperada contemplação
- a de vivas cinzas caídas no chão
e a de muito antes, com grinaldas de água
molhando o recém-nascido -
Junto ao altar, um aroma seco rodeia
o jarro de flor.
A viagem descida até o fundo do corpo
desmancha-se em um nome.
Muitas vezes naufraguei
em meus próprios deuses
navegantes de um outro lado do mundo.
Este que procuro desdobra o passado nos retratos
e nas pinturas que seguram as paredes da casa.
Meu pai esculpe o rosto de seu pai
na certeza de que a imagem se assemelha
ao que ficou retido na infância.
Outras lembranças recolhem a visão
das rochas escuras e antigas
entornadas do vulcão.
Enraízam o sol e a seiva das videiras
e brilham com beleza tão intensa
como se guardassem dentro delas
auroras extintas.
Não há ossos.
Só o amor exarcebado pela solidão.
Escrevo a história deste
que vagueia pela Ilha do Pico
a respirar as sombras de sua aldeia
a ser trocada por uma pátria
desenhada de montanhas verdes
e de córregos e rio fechados
em cântaros de poesia e lama.
Deixo a Ilha, como fez o avô,
repetindo, com doçura, o que lá
submete a memória à desordem dos sonhos.
Eu já sou relíquia do acaso
que deixo em um canto da Ilha
ou em uma cidade de Minas.
Cataguases.
9/12/2016
MIRAGENS - Expô internacional de Poesia Visual em Bento Gonçalves RS
O XXIV Congresso Brasileiro de Poesia abrirá em 13 de setembro de 2016, na Casa das Artes em Bento Gonçalves (RS), a exposição internacional de poesia visual “Miragens”.
“Miragens é uma das grandes exposições de Poesia Visual já acontecidas na América do Sul, reunindo 152 obras de autores de 44 países, que apresentam em suas criações poéticas abordagens livres sobre a ÁGUA,que é o tema da exposição. Os autores foram convidados a criar obras visuais sobre a água como fonte da vida, em suas dimensões socioambientais, sustentáveis, em seus impactos sociais em relação aos fatores climáticos, recursos hídricos, fluviais e pluviais, como fonte de energia e origem da vida. Miragem é um termo que descreve uma ilusão de ótica em suas relações entre umidade, temperatura e luz, como os imaginários oásis no deserto ou navios inexistentes em alto-mar. Miragens aqui são também as possibilidades de visualizar o que se deseja num mundo em transformação e de grande demanda em termos de consciência ecológica e sustentabilidade ambiental.
A mostra integra a programação da XXI Mostra Internacional de Poesia Visual, que abrigará também a exposição “Trajetória de Experimentalidades – Vida e Obra de Hugo Pontes” poeta visual homenageado no evento que abriga as duas exposições, o XXIV Congresso Brasileiro de Poesia, coordenado pelo jornalista Ademir Antônio Bacca. Haverá ainda a mesa-redonda “Poesia Visual Contemporânea”, tanto no dia 12, abertura do Congresso, quanto no dia 15, onde serão debatidos aspectos desse segmento na atualidade, com nomes como Artur Gomes, Ronaldo Werneck, Sady Bianchin e Tchello d’Barros.

Autores:
ÁFRICA DO SUL: CHERYL PENN | ALEMANHA: ANDREA ZÁMBORI – HANS BRAUMÜLLER | ARGENTINA: ADRIAN DORADO – ALEJANDRO FONTANA - CECILIA AUDAGNA - DANIEL ACOSTA – LORENA LOPEZ CENTELL – MARCELA PERAL – MIRIAM MIDLEY | AUSTRÁLIA: ANNEKE BAETEN – DENIS SMITH – JOHN McCONNOCHIE - VSEVOLOD VLASKINE | ÁUSTRIA: LIESL UJVARY – GÜNTER VALLASTER – THOMAS HAVLIK |BÉLGICA: LUC FIERENS - RENAAT RAMON - SVEN STAELENS | BRASIL:AIRTON REIS – ANDRÉ VALLIAS – AL-CHAER – ALEXANDRE REIS – ALEXANDRE DACOSTA – ALMANDRADE – ANGÉLICA RIZZI - AURINEIDE ALENCAR – CARMEM SALAZAR – CONCEIÇÃO HIPPOLITO – CONSTANÇA LUCAS – FÁTIMA QUEIROZ – DIEGO DOURADO – FRANCISCO XAVIER - GIL JORGE – JOAQUIM BRANCO – HUGO PONTES - JOESER ÁLVAREZ – JORGE VENTURA - JOSÉ HENRIQUE CALAZANS –JOUVANA WHITAKER – JULIANA MEIRA – LEANDRO SANTIAGO – LEONARDO TRIANDOPOLIS VIEIRA – MICHELLE HERNANDES – RENATO DE MATTOS MOTTA – RENATO GONDA – ROBERTO KEPPLER – ROGÉRIO BRUGNERA – RUTH HELLMANN – PAULO DE TOLEDO - RICARDO ALFAYA - TCHELLO D'BARROS - VICTOR AZ – XICO CHAVES |CANADÁ: MARGENTO – AMANDA EARL | CHILE: CHICOMA |COLÔMBIA: ANGYE GAONA – TULIO RESTREPO | CUBA: ENRIQUE SACERIO-GARÍ | DINAMARCA: MARINA SALMASO | ESCÓCIA: STEPHEN NELSON | ESPANHA: ÀLEX MONFORT – ALFONSO AGUADO ORTUÑO –ÀNGELS J. SAGUÉS – ANTONIO GÓMEZ –BRUNO EFIMERO – CÉSAR NAVES - EVA HIERNAUX – IBIRICO – JAIME RGUEZ – MARISA MAESTRE – MIGUEL AGUDO OROZCO – MIGUEL GIMENEZ – NÚRIA FERNÀNDEZ ESTOPÁ – SERGI QUIÑONERO – SERGIO PINTO BRIONES – SABELA BAÑA | EUA: ALEX OCHERETYANSKY - ANDREW OLEKSIUK – ANDREW TOPEL – ARAM SAROYAN – BILL DIMICHELE – ERICA BAUM - JOHN M. BENNET – NICO VASSILAKIS – MICHAEL BASINSKI – STEVE DALACHINSKY | FINLÂNDIA: SATU KAIKKONEN | FRANÇA: ANDRÉ ROBÉR – JEAN-CHRISTOPHE GIACOTTINO – JULIEN BLAINE - NUNO DE MATOS | GUATEMALA: ALVARO SÁNCHEZ | GRÉCIA: PETALA EYTIHIA |HUNGRIA: MÁRTON KOPPÁNY | INDONÉSIA: KARNA MUSTAQIM |INGLATERRA: CHRIS BIRD - SEAN BURN – LISA TRAVERS | IRLANDA DO NORTE: CRISTOPHER FLEMING | ISLÂNDIA: ANGELA RAWLINGS -RAGNHILDUR JÓHANNS | ITÁLIA: ANGELA CAPORASO - CINZIA FARINA – ENZO MINARELLI - JIMMY RIVOLTELLA – ORONZO LIUZZI – RENATA SOLIMINI - ROSSANA BUCCI - TIZIANA BARACCHI | JAPAN: JESSE GLASS - KEIICHI NAKAMURA – KEIGO DEPID HARA – KOJI NAGAI |MÉXICO: CÉSAR ESPINOSA – MARA PATRICIA HERNANDEZ – MIGUEL CÓRDOVA COLOMÉ – ROMINA CAZÓN | NORUEGA: JAROMIR SVOZILIK – ELIN MACK | PANAMÁ: MANUEL E. MONTILLA | PERÚ: VICTOR VALQUI VIDAL | POLÔNIA: MIRON ET | PORTO RICO: ESTEBAN VALDÉS ARZATE – ROBERTO NCAR | PORTUGAL: ARMANDO SALES MACATRÃO –AVELINO ROCHA - FELICIANO DE MIRA – FERNANDO AGUIAR |REPÚBLICA DOMINICANA: LUIS MUNOT | ROMÊNIA: ANCA BUCUR – IULIA MILITARU | RÚSSIA: ALEXANDER LIMAREV – EDWARD KULEMIN – RENE RIG (RAFIKOV R.M.) – SWETA LITWAK | SÉRVIA: DEJAN BOGOJEVIC | SUÉCIA: LARS PALM – XIMENA NAREA – RUBÉN AGUILERA | SUÍÇA: SCHLATTER BRUNO | TUNÍSIA: ALI ZNAIDI |TURQUIA: ERCAN Y YILMAZ | UCRÂNIA: VOLODYMYR BILYK |URUGUAI: CLAUDE NGUYEN – CLAUDIA LÓPEZ FOLETTO – CLEMENTE PADIN – JORGE ECHENIQUE – JUAN ANGEL ITALIANO | VENEZUELA:AMARILYS QUINTERO RUIZ
Serviço:
Abertura: 13 de setembro de 2016 às 19 h
Local: Casa Das Artes. Bento Gonçalves, RS.
Visitação: 16 de setembro a 30 de setembro de 2016.
9/08/2016
O CONTO
O CONTO: pequenas variações no tempo e no espaço
Joaquim Branco
Etimologicamente a palavra “contar” vem do latim “computare”, e, na acepção de contar uma estória, reporta-se inicialmente à narração oral.
Somente muito tempo depois, com a invenção da escrita, aos poucos, foi surgindo o conto (literário) como se conhece hoje.
Em tempos remotos, a poesia era muito mais praticada e apreciada, pois, contendo em si características de cadência, ritmo e musicalidade, podia e pode ser facilmente memorizada. Não dependendo do registro escrito, a poesia se popularizou nas praças, salões da aristocracia, nas reuniões de família e em outros ambientes.
Por outro lado, diferente do simples relato que deve reproduzir um fato acontecido, o conto (como o romance) não tem compromisso com a verdade, pois ele basicamente é “ficção” (do vocábulo latino "fictio", que significa “fingimento”, ou mais concretamente “mentira”). Portanto, aquele dito popular “quem conta um conto aumenta um ponto” tem tudo a ver com o ficcional, pois este está ligado à subjetividade e à individualidade de cada “autor”.
Cultivado desde a Antiguidade por todos os povos, o conto conheceu na Grécia o lado maravilhoso da Mitologia, e no Oriente o fascínio do qual temos como exemplo mais famoso as estórias de "As mil e uma noites".
O prestígio artístico e a popularidade deste tipo de narrativa só se consolidaram a partir do século XIX com o surgimento de grandes mestres da narrativa curta como Maupassant, Tchecov, Machado de Assis, Flaubert, Dostoievski, Swift e no século seguinte Kafka, Hemingway, Fitzgerald, Joyce, Borges, Katherine Mansfield, Camus.
Pode-se conhecer muito sobre o conto com a leitura do livro intitulado "Teoria do Conto", de Nádia Battella Gotlib (Editora Ática). Num pequeno volume de 95 páginas, a professora da USP nos faz navegar por vários tópicos importantes como a história do próprio conto, o maravilhoso, o gênero, o enredo, a construção e os autores que deram a esse tipo de narrativa um grau de excelência.
(A foto é do ficcionista franco-argelino Alberto Camus, um dos maiores nomes na literatura do século XX)
8/06/2016
"O Planeta Azul" - exposição de Arte Postal na Itália
S A C S - ART ESPAÇO CONTEMPORÂNEA EXPERIMENTAL
IT / PT
O planeta azul
Journey into natureza e do homem
PROJETO ARTE POSTAL INTERNACIONAL E DIGITAL
marcador Art
De Setembro de 1 - 15 de outubro de 2016
VERNISSAGE Quinta-feira 1 de setembro às 17h30
Apresentação de George amigo
Projeto por Cristina Sosio e Bruno Cassaglia
Biblioteca Municipal A. Aonzo - Praça da Constituição - Quiliano (Savona)
DOWNLOAD: Manifesto - Convite - Comunicado de imprensa
EVENTOS
● espaço de arte de vídeo
Toda quarta-feira da exposição é dedicada à apresentação de um vídeo.
A partir de 16.00 horas você será capaz de ver os vídeos
7 de setembro - Homenagem a Christine Tarantino (EUA) - 14 de setembro - Grupo Sinestetico (Itália)
21 de setembro - Renato Cerisola (Itália) - 28 de Setembro - Maurizio Follin (Itália)
5 de outubro - Cristina Sosio e Franca Maria Ferraris (Itália) - Outubro 12 - Ioanna Roussou (Grécia)
15 de outubro de 2016
abertura especial 9:00-12:00 / 15:00-18:00 e 20:30-23:00
instalação de vídeo por Bruno Cassaglia - 15.00
16.00 Apresentação do vídeo apresentado durante a exposição Espaço ● Vídeo Arte
20.30 - Filme / Documentário screening "The Blue Planet", dirigido por Franco Piavoli
Preparado pelo Grupo Cineforum "Os Bons Companheiros"
Evento organizado por ocasião do 12º dia do Contemporary
promovido pela Hammock - Associação de Museus de arte contemporânea italiana
http://www.amaci.org/gdc/dodicesima-edizione/il-pianeta-azzurro
O show vai seguir no seguinte horário:
Terças, quintas e sábados, das 09h00 às 12h00 / terça, quarta e sexta-feira 15,00-18,00
Fechado domingo e segunda-feira
abertura especial por ocasião do Agrigusta: 1-2-3-4 setembro às 20:30-22:30
WEB página dedicada Link: www.sacsarte.net/Progetto-pianeta/Il-pianeta-azzurro.html
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planeta azul
Journey into Natureza e do Homem
PROJECT INTERNACIONAL DE ARTE MAIL E ARTE DIGITAL
Bookmark Art
1 de setembro a 15 de outubro de 2016
VERNISSAGE quinta-feira, setembro 1, 17:30
Editado por Cristina Sosio e Bruno Cassaglia
Revisão de George amigo
Catálogo da exposição
Biblioteca Pública A. Aonzo
Praça da Constituição, Quiliano (Savona)
Download: Posters - Convite - Comunicado de imprensa
EVENTO
Espaço ● Vídeo Arte
Toda quarta-feira, Durante o tempo de exposição, será dedicado a uma apresentação de vídeo.
A partir de 16:00, será possível assistir os vídeos de
07 de setembro - Homenagem a Christine Tarantino (EUA) - 14 de Setembro - Grupo Sinestetico (Itália)
21 de setembro - Renato Cerisola (Itália) - 28 de Setembro - Maurizio Follin (Itália)
05 de outubro - Cristina Sosio e Franca Maria Ferraris (Itália) - 12 de outubro - Ioanna Roussou (Grécia)
15 de outubro de 2016
aberturas especiais: 9:00-00:00 - 15:00 - 18:00 - 21:00-23:00 pm
15:00: instalação de arte de vídeo por Bruno Cassaglia
16:00: Projeção de vídeos, apresentou durante a exposição em Video Art Space
20:30: Projecção do documentário "The Blue Planet" ( "O Planeta Azul"), dirigido por Franco Piavoli
Iniciativa realizado pelo Grupo de Cine-fórum "Goodfellas" ( "Os bons rapazes")
A exposição está incluído no dia 12 de Contemporary,
organizado pela amaci
http://www.amaci.org/gdc/dodicesima-edizione/il-pianeta-azzurro
A exposição estará aberta durante os seguintes horários:
Terça-feira, quinta e sábado: 9:00 às 12:00 am - terça, quarta e sexta-feira: 15:00 - 18:00
Ele será fechado no domingo e segunda-feira.
aberturas especiais durante "Agrigusta" (exposição de alimentos da agricultura): 01 de setembro, 2º, 3º quarto, 20:30 - 22:30
Web site dedicado Link: www.sacsarte.net/Progetto-pianeta/Il-pianeta-azzurro.html
ARTISTAS / ARTISTAS
ARGENTINA
Assinar Susana - Arauz Nelly - Gabriela Caruso - Escot Claudia - Leone Geraci Stella Maris - Makrucz Marcela - Maribel Martinez - Hilda Paz - Pezzani Claudia
AUSTRÁLIA
Carland Lillian - Peter Murphy - Viers Alicia
ÁUSTRIA
Pinter Klaus - Erich Sundermann
BÉLGICA / BÉLGICA
Gonay Fabienne - Anke Van Den Berg - Van Hissenhoven Marie-Laure
BRASIL / BRASIL
Remedios Carmen - Varandas Sperandio Jane Beatriz - Bergamin Marithe - Bohn Leci - Joaquim Branco - Mara Caruso - Damasceno Ferreira M. Julieta - dê para mim Maria Araujo - Ecker Kohler Jeanete - Erzinger Janos - Mariano Ferreira Ieda - Fogliato Therezinha Lima - Gutierrez Luiza - Imagine o Par B. - Kronbauer Leite Jussara - Luzzatto Tania - Marasca Soccol Erminia - Mattioli Leite Neiva - Neto Celestino - Pacheco Lilian - Presotto Vera - Remedios Carmen - Ribas Marinho Dorian - Ribeiro Queiroz Helen - Sirlei Caetano - Toniolo Maria Do Carmo
BULGÁRIA
Vesselinov Vlado
CANADA
Diane Bertrand - Evangelista Anna - Elaine Rondas
CHILE / CHILE
Busquets Carolina - Antonio Cares - Femenias Victor - Pacheco Acuña Orlando Nelson
DINAMARCA / DINAMARCA
Bjørnhaug Grethe
FINLÂNDIA / FINLÂNDIA
Holopainen Tapio - Mattila-Tolvanen Anja - Tiililä Paul
FRANÇA / FRANCE
Boccù Carmen - Burgaud Christian - Flamengo Patricia
ALEMANHA / ALEMANHA
Buchholz Joachim - Dermani Abdoul-Ganiou - Elke Grundmann - Hidir Ok - Henning Mittendorf - Jürgen O. Olbrich (No-Institute) - Sandra Schmidt Simone - Lars Schumacher - Schumacher Susanne
JAPÃO / JAPÃO
Ryosuke Cohen
GRÉCIA / GRÉCIA
Coutarelli Demetrios
INGLATERRA / INGLATERRA
Keith Bates
Irlanda / Irlanda
John Jennings
ITALY / ITALIA
Accigliaro Walter - Albano Irene - Alberton Germana - Matthew Allegri - Alliri Venturino Silvana - Amadelli Chiara - Antonio Amato - Andolcetti Cristina - Andolcetti Fernando - Antonielli Adriana - Avanzini Celestina - Baldassini Paola - Tiziana Baracchi - Barbarino Jonathan - Barbero Bruno - Barli Alberto - Basile Giovanni - Basile Lucia - Beglia Emilio - Bellini Giuliana - Berretta Daria - Bertola Carla - Besozzi Ermanno - Alberto Besson - Bobo Antonio - Mariella Bogliacino - Boiocchi Stefano - Bolgiaghi Emilio - Bonari Adriano - Borrini Sergio - Milvia Bortoluzzi - madeiras Anna - Paul Bottari - Cesare Botto / Bondi Ober - Bucci Rossana - Busanelli Pino - Caccaro Mirta - Alfonso Caccavale - Campagnolo Alessio - Caporaso Angela - Caputo Annamaria - Carantani Maurizia - Cargnelli Rossana - Carmellino Michele - Cassaglia Bruno - Cavallero Antoinette - Celotto Camilla - Centrone Francesca - Cerruti Arianna - Cesino Daniela - Chiarini Lucrezia - Ciarlo Francis - Cosimo Cimino - Corcione Piera - Craviotto Marta - Crescini Giovanna - Cuciniello Natal - Gianni D'Adda - Chiara D'agostino - Giorgio De Cesario - Michele De Luca - De Marchi - Gherini Antonio - Dealessi Albina - Dede Massimiliano - Demuro Simonetta - Di Michele Antonio - Maria Teresa Di Nardo - Di Palma Renata - Dietrich Konrad - Marcello Diotallevi - Dolermo Gabriele - Maria Anna Donati - Donaudi Giovanni - Donin Beatrice - Duro Gianfranco - Paola Failla - Filippo Falco - Falsaci Massimo - Cynthia Farina - Ferrara Carolina - Filardi Giuseppe - Maurizio Follin - Roberto Formigoni - Strong Humbert - Franzia Lia - Frassanito Matteo - Frei Mariano - Fulgor C.Silvi - Galeotti Gaia - Gangemi Marialetizia - Garavini Lia - Garzoni Federico - Gazzarini Maria Silvia - Enrico Giannelli - Giarrizzo Annamaria - gigante Silvana - Giorio Cesare - Giuliano Gloria - Gobbi Tosca - Claudio Grandinetti - Gravina Giuseppina - Guano Alessio - Gusella Simone - Gusinu Giuseppe - I Santini Del Prete - Iacomucci Carlo - Jandolo Benedetta - Passar Rosanna - Lepori Eliseo - Liuzzi Oronzo - Luigetti Xerxes - Mabi Col - Mancin Margherita - chuck Francis - Alessio Manfredi - Manfredi Andrea - Mantisi Cristina - Marchesa Giuliana - Matthew Marquis - Arnaldo Marcolini - Marrali Calogero - Vanessa Martini - Masoni Romano - Maute Michele - Mazzola Pinuccia - Medola Massimo - Giovanni Meloni - Menni Veronica - Produtos Aldo - Monica Michelotti - Minuto Francesca - Mocano Vlad - Molinari Mauro - Federico Monachesi - Montanella Gilia - Montano Maria Grazia - Emilio Morandi - Mossio Rebecca - Christmas Aurora - Nadia Nava - Ober Paul - Occorsio Paola - Orisol (Oriana Del Carlo) - Palmisani Ramona - Paoli Linda - Pertone Silvano - Petraglia Giorgio - Antonio Picardi - Piccazzo Gianni - Anna Pizzi - Predieritaliercio Mariarosa - Nadia Presotto - Prota Giurleo Antonella - Alessandra Pucci - Puddu Federico - Franco Repetto - Repiccioli Paola - Resurreccion Maria Marrienel - Ricci Rossella - Ricciardi Angelo - Riri Negri - Rizzo Caterina - Roberto Martina - Roccioletti Andrea - Sabina Romanin - Romeo Claudio - Sandra Rose - Rosmini Tiziana - Rossi Jacopo - Ruggieri Martina - Salviati Alessio - Sansevrino Sergio - Santarelli Rosa Maria - Sassu Antonio - Alessandro Scaglia - Scala Roberto - Scalise Carolina - Schiro Elena - Scutelnic Anastasia - Salvatore Sebaste - Sellerio Elena - Sergiampietri Danilo - Domenico Severino - Sireno Monica - Solamito Luigino - Solda Paola - Somenari afro - Alberto Sordi - Sosio Cristina - Spaggiari Daniela - Umberto Stagnaro - Salvatore Starace - Stradada Giovanni E Renata - Teruzzi Giorgia Valeria - Tinazzi Luisa - Tissone Luca - Traverso Lacchini Elisa - Valderrama Fabrizio - Venier Emanuela - Veronesi Rosanna - Viriglio Lilia - Vitacchio Alberto - Zilich Alice - Zucchini Rolando (Estúdio Zetau ) - Luca Zunino -
MACEDÓNIA
Gjorgjievska Elena
MÉXICO / MÉXICO
Alcalde José Luis Soberanes - María Guadalupe Zavala
NORUEGA / NORUEGA
Larsen Torill Elisabeth - Jaromir Svozilik
PAÍSES BAIXOS / HOLLAND
Bouws Renee - Já Artes - Sidac / Piet Franzen
PERU '
Kruger Antonio Cano (Krugerland)
POLÓNIA / POLÔNIA
Kuzniar Elżbieta
PORTUGAL / PORTUGAL
Mousinho Antonio
ROMÉNIA
Petca Ovidiu - Valcelean Krisztina
RÚSSIA
Limarev Alexander
SÉRVIA
Kamperelic Dobrica - Predrag Kovačić
ESPANHA / SPAIN
Balboa Garnica Jorge - Bericat Pedro - Antoni Miró - Moyol Castelo Antonia - Reglero Cesar Campos - Ruiz - Ruiz Manuel - Manuel Sainz Serrano - Viana Silvia
TURQUIA / TURQUIA
Meral Agar - Dincakman Bahar - Elci Pűrkan - Sinasi Güneş - Oznur Kepçe - Turşoluk Hilal - Ugur Ayṣesidika - Yagci Melahat - Ziya Tunc Arif
HUNGRIA / HUNGRIA
Csaba Pál - Tibor Urban
EUA
Arvello Angel - Henry Gwiazda - Laurie Hansen - Connie Jean - Mikedyar / Eat Art - Cynthia Morrison - Ocheretyansky Alexander - Rex Monica - Judith Skolnick - Mark Sonnenfeld - Vanberg VeeBee
VENEZUELA
Guroga
SACS (Contemporary Art Space Experimental)
Website: www.sacsarte.net - E-mail: info@sacsarte.net
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Informações: Secretaria de Cultura da cidade de Quiliano Escritório / Informações da Cultura da Câmara Municipal de Quiliano
Email: servizi.cittadino@comune.quiliano.sv.it - tel. 019 2000511
biblioteca Civic A. Aonzo / Public Library A. Aonzo
Email: biblioteca@comune.quiliano.sv.it - tel. 019 8878311
7/30/2016
KAFKA, A MENINA E A BONECA

KAFKA, A MENINA E A BONECA
Joaquim Branco
Entre as monumentais obras de Franz Kafka, não se poderia supor que o autor tcheco tenha deixado para a posteridade o que se poderia chamar de um livro infantil...
Pois é. Eis que chega ao meu conhecimento (e mãos) “Kafka e a boneca viajante”. Uma narrativa sobre cartas escritas por ele para uma menina que encontrou certo dia no Parque Steglitz, em Berlim.
O fato é que as verdadeiras cartas se perderam, apesar dos esforços de pesquisadores em encontrá-las. Mais recentemente o escritor espanhol Jordi Sierra i Fabri – com a colaboração das lembranças de Dora Dymant, moça que morava com Kafka na época – as recompôs, e aí nasceu o livro. A história que vou resumir a seguir, portanto, é real.
Um ano antes de morrer, em 1923, quando Franz Kafka passeava pela Praça Steglitz, encontrou uma menina chorando muito. Elsi – era o seu nome – havia perdido sua boneca Brígida.
Foi consolada por Kafka que lhe disse que Brígida estava apenas viajando e não havia se perdido. Buscando uma maneira de resolver o problema, Franz começou a escrever cartas (como se fosse a boneca Brígida) a Elsi e a entregá-las de tempos em tempos, fingindo ser um carteiro.
As cartas e os encontros na praça foram-se sucedendo para alegria da menina e do próprio autor-personagem-carteiro.
Deixo de contar o que se passou depois e o final para não estragar o prazer de possíveis leitores da obra, mas continuo minhas impressões de leitura.
Confesso que, nas primeiras páginas, o autor do livro não me convenceu com sua escritura. Como aceitar que alguém pudesse se fazer de Kafka, um dos maiores escritores do século XX? Seria um salto mortal contra a eternidade e a própria literatura. Aos poucos, porém, Jordi Sierra, ao mesmo tempo que se apropriava da ideia de Kafka, parece que foi incorporando o que seria a linguagem original do texto, e me fazendo ‘lembrar’ de que estava ali subjacente o próprio ficcionista Franz Kafka. Tive quase certeza de que me encontrava com o grande autor saindo dos tortuosos corredores de “O Processo” e se transvestindo na versão simples e purificada da sua antípoda literária.
Assim, comecei a ver a narrativa com a leveza e a naturalidade que ela adquirira ao correr das páginas.
Kafka aparecia como autor e personagem, narrado em terceira pessoa, em fuga de sua ficção habitual. Transformou-se no carteiro que levava felicidade para uma menina anônima que encontrou por acaso num jardim.
No transcorrer do texto, a imaginação de Jordi o leva a reflexões nas mais diversas áreas do conhecimento, enquanto narra a história.
“A única coisa que sabia por intuição era que as crianças destilavam egoísmo. Fazia parte de sua própria inocência. Egoísmo por precaução, por senso de sobrevivência, por necessidade.” (p. 52)
Considerações do personagem-autor sobre as bonecas são inevitáveis para o convencimento de que Brígida estava apenas viajando e não havia se perdido:
“Sabe, sei de bonecas que nunca fazem sua viagem. Têm medo. Ficam com suas meninas, mas não por amor a elas, ao contrário, ficam por medo.” (p. 52)
E a justificação da entrega das cartas pessoalmente e não nas casas propicia outro diálogo entre Kafka e Elsi:
“ – Os carteiros não entregam as cartas nas casas?
– Os carteiros normais entregam, mas não os carteiros de bonecas. As cartas de bonecas são especiais, porque são diferentes. Têm de ser entregues às suas destinatárias em mãos.” (p. 27)
O carteiro não poderia faltar ao próximo encontro marcado e fala para si próprio:
“Estava em jogo uma esperança.
O que há de mais sagrado na vida.” (p. 32)
Nos diálogos entre o carteiro e Elsi há momentos especiais, como nestas comparações:
“– Você sabia que o céu de Paris é da cor de seus olhos quando você sorri e que as nuvens são como os pêssegos que se formam no seu rosto?” (p. 61)
Kafka e a sua mulher Dora também comparecem a algumas cenas:
“– Só você poderia pensar uma coisa dessas, querida. Te amo.
Salvar uma menina não era salvar o mundo?” (p. 74)
A referência aos animais como defesa para sua sobrevivência, na afirmação do carteiro para a menina:
“– ...quanto a mim, seria incapaz de matar um leão ou um elefante. Totalmente incapaz. Para que destruir uma vida? Esses animais selvagens são tão lindos, Elsi.” (p. 83)
A descrição do mundo – simples, direta:
“– Às vezes percebo que o mundo é o lugar mais bonito que existe, e vejo a imensa sorte que temos de viver nele. Precisamos cuidar dele e protegê-lo para deixá-lo aos nossos descendentes, da mesma forma que um dia o recebemos de nossos pais. Somos apenas hóspedes momentâneos de sua generosa grandiosidade.” (p. 85)
Termino com o diálogo entre a boneca Brígida e a menina Elsi, que dá talvez mais significado à temática do(s) autor(es):
“ – ...nós duas vamos saber que nunca chegaríamos tão longe sem a outra. Viveremos cada uma na memória da outra, e isso é a eternidade, Elsi, porque o tempo não existe para além do amor.” (p. 87)
Esse não é o final – que prometi não revelar –, mas bem poderia ser o deste livro que ganhou o Prêmio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil do Ministério da Cultura da Espanha em 2007, e, merecidamente, acredito.
*FABRA, Jordi Sierra i. Kafka e a boneca viajante. Trad. Rubia Prates Goldoni. Ilustrações de Pep Montserrat. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009, 127 p.
6/29/2016
NOS TEMPOS DO MODERNISMO EM CATAGUASES

NOS TEMPOS DO MODERNISMO EM CATAGUASES
Joaquim Branco
O livro de Rivânia Maria Trotta Sant'Ana "O movimento modernista Verde, de Cataguases MG 1027-1029" vem acrescentar muitos dados ao que se sabe sobre essa significativa vertente do Modernismo brasileiro e se destaca pela riqueza da pesquisa realizada.
Num alentado volume de 372 páginas, editado pelo Instituto Francisca de Souza Peixoto, a professora-doutora Rivânia Maria desenvolve em 3 capítulos aquele que foi seu projeto de mestrado na UFMG.
A revista em si, seus participantes e o movimento em suas fases fazem parte do 1º capítulo, em que a autora alinha opiniões de dentro e fora da Verde, entre inúmeros críticos literários da época. Acrescenta ao final considerações sobre a influência e importância do café que sustentava a economia da região e da indústria então nascente, bem como do cinema que também se iniciava.
No 2º capítulo, são analisados alguns textos de criação e crítica constantes da revista, além de seu manifesto que foi anexado ao número 3 da publicação em novembro de 1927. Este último é visto sob diversos ângulos, o que permite ao leitor uma visão ampla dos objetivos que pretendiam seus 9 autores: Ascânio Lopes, Camilo Soares, Francisco Inácio, Martins Mendes, Rosário Fusco, Oswaldo Abritta, Fonte Boa e Guilhermino Cesar.
Os livros publicados e as colaborações em jornais e revistas fazem parte do 3º capítulo, com amplo levantamento das primeiras investidas artísticas dos moços da Verde.
Após a conclusão, Rivânia n os reserva uma farta bibliografia e um apêndice em que coloca os anexos com muitos textos desses autores, bem como um índice remissivo que, por certo, ajudará o leitor na localização de todas as referências presentes no estudo.
Publicado em 2008, em edição não-comercial e tiragem restrita, este livro de Rivânia Maria T. Sant'Ana vem se juntar aos poucos que há até hoje editados no país sobre o movimento Verde e suas conquistas e consequências, no entanto, como os demais, deverá levantar novos estudos e novos pesquisadores que se interessarão por temática tão rica e interessante. Pois, nas palavras da autora na introdução: "O Modernismo é considerado, por parte dos historiadores e críticos da literatura brasileira, o grande momento da nossa literatura (...)" (p. 19)
5/31/2016
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