3/20/2017

3/15/2017

ENSAIO E MONTAGEM DA EXPÔ "VERDE 90 ANOS"

Último ensaio dos poemas da Verde pelo Grupo Proler, antes da apresentação:








A Equipe da "Visual Impressões" montando nossas peças para a exposição:













3/12/2017

VERDE 90 ANOS

Revista VERDE
Expô 90 ANOS

“Sou de Cataguases, cidadezinha pacata de Minas Gerais, e venho trazer a notícia de que fundamos uma revista moderna aqui. Verde é o nome da baita" – escrevia em 1927 o rapazote Rosário Fusco (17 anos recém-completados) ao escritor Mário de Andrade, um dos expoentes do nosso modernismo literário. Pois é exatamente uma baita exposição a que vai comemorar no próximo dia 18 de março, no Centro Cultural Humberto Mauro, em Cataguases, os 90 anos do lançamento da revista Verde – o principal baluarte do modernismo no interior de Minas e que, com colaborações recebidas de escritores de vários pontos do país, ajudou a disseminar o movimento Brasil afora.
Organizada pelos poetas Joaquim Branco, Ronaldo Werneck e P.J. Ribeiro, fundadores do Totem, grupo de vanguarda surgido em Cataguases nos anos 1960 – que conviveram e se tornaram amigos de vários dos integrantes da Verde –, a mostra VERDE 90 ANOS é composta por imagens & textos sobre a revista lançada em Cataguases no ano de 1927. Na noite de abertura, a partir de 19 horas, haverá um sarau com poemas dos integrantes da revista pela equipe do Proler e o lançamento de dois livros: “Uma Verde História”, de Fernando Abritta & Joaquim Branco; e “Rosário Fusco por Ronaldo Werneck: Sob o signo do imprevisto”.

Revista Verde
“Por que enredos da Providência Divina foi nascer, à beira de um riacho chamado Meia-Pataca, um grupo de poetas interessantes que hão de deixar uma certa marca no momento poético que estamos vivendo?” – perguntava-se o respeitado crítico Tristão de Athayde n´O Jornal, do Rio de Janeiro, em 1928, ao escrever sobre a revista Verde, lançada no ano anterior em Cataguases.
Verde tirou seis edições: as cinco primeiras em 1927; uma em 1928; e a última em 1929, toda dedicada a Ascânio Lopes, o principal poeta do grupo, que acabara de falecer, aos 22 anos. O primeiro número publicava apenas escritores mineiros – Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura etc – e entre eles os rapazes da cidade, núcleo de resistência da Verde e fundadores da revista: Ascânio Lopes, Cristóphoro Fonte-Boa, Camilo Soares, Enrique de Resende (o mais velho, então com 28 anos), Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino Cesar, Martins Mendes, Oswaldo Abritta e Rosário Fusco, o mais novo deles, com 17 anos.
Já a partir do segundo número, vieram colaborações de escritores dos quatro cantos do país e até do exterior. Principalmente dos modernistas de São Paulo, capitaneados por Mário e Oswald de Andrade, que chegaram mesmo a escrever poema famoso dedicado aos rapazes da Verde, publicado no quarto número da revista, onde diziam: “Todos nós somos rapazes/ muito capazes/ de ir ver/ de forde verde/ os ases de Cataguases”.
No terceiro número daVerde é publicado um “abusado” manifesto, que ficaria famoso e que pode ser resumido nos seguintes itens:

1.º Trabalhamos independentemente de qualquer outro grupo literário.
2.º Temos perfeitamente focalizada a linha divisória que nos separa dos demais modernistas brasileiros e estrangeiros.
3.º Nossos processos literários são perfeitamente definidos.
4.º Somos objetivistas, embora diversíssimos uns dos outros.
5.º Não temos ligação de espécie nenhuma com o estilo e o modo literário de outras rodas.
6.º Queremos deixar bem frisada a nossa independência no sentido “escolástico”.
7.º Não damos a mínima importância à crítica dos que não nos compreendem.

Lançamentos, sarau, bate-papo
Além do lançamento dos livros de Joaquim Branco e Ronaldo Werneck e do sarau com poemas dos integrantes da revista, a exposição VERDE 90 ANOS vai mostrar fotos individuais e em grupos dos membros do movimento, de várias situações em casa, com a família, as capas das revistas e livros, os textos mais representativos, os logotipos criados por Rosário Fusco, desenhos e caricaturas, e as biografias resumidas de cada um dos “Verdes”. Haverá também um bate-papo com os organizadores, aberto a perguntas do público.
Em 1928, no nº 5 da Verde, ao escrever sobre o reconhecimento em âmbito nacional da revista, dizia entusiasmado o poeta paulista Ribeiro Couto: “Todo o Brasil está surpreso: existe Cataguases! (...) Todo mundo foi ao mapa, roçou o dedo pela superfície, procurando, apertando os olhos, até achar: Cataguases”.
Então, que o público de agora aperte bem os olhos e roce os dedos no googlemap até achar: Cataguases. E que venha ver a mostra VERDE 90 ANOS.
Agradecemos a divulgação.

Joaquim Branco
joaquimb@gmail.com
(32) 98888-2344 e (32)3421-8280

Ronaldo Werneck
roneck@ronaldowerneck.com.br
(32) 98819-0955 e (32) 3422-2671








EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE POSTAL NA INDONÉSIA



2/01/2017

A SUPOSTA INFERIORIDADE



(na foto o grande escritor Albert Camus)


Há certos artigos, poemas e trechos de livros que gostaríamos que todo mundo lesse, e nessa vontade às vezes distribuímos cópias aos amigos mais interessados.

Um desses textos que sempre me vêm à mente intitula-se “Sobre o óbvio”, e foi escrito por Darcy Ribeiro para a revista "Civilização Brasileira" no final dos 70. Nele, Darcy dá uma aula de inteligência e massacra a velha tirania dominante que coloca a nós, sul-americanos, mestiços e descendentes de portugueses, como supostamente inferiores aos "nobres" habitantes do hemisfério norte. Nosso antropólogo comenta e desmoraliza a balela de que, se tivéssemos sido colonizados por ingleses, alemães ou outra raça “superior”, estaríamos hoje em pé de igualdade com os norte-americanos.
São preconceitos que até hoje querem nos impingir, como os da inferioridade das mulheres, dos negros, judeus e outros de que felizmente as pessoas vão aos poucos desacreditando.
O artigo é crítico, irônico, profundo e argumentativo, e levanta todos os pontos da questão, desde aquele início de colonização até os poderes de uma classe que, a partir do descobrimento, domina a cena brasileira. Da sua leitura, sai-se de alma lavada.

Um livro que de certo modo complementa a matéria é "O avesso e o direito", do franco-argelino Albert Camus, que no prefácio abre para uma constatação redentora: “Encontram-se muitas injustiças no mundo, mas existe uma da qual nunca se fala, que é a do clima”. (p. 20) Isso nada mais é que outra fixação em que tentam nos manter, a de que as pessoas que vivem em climas quentes são inferiores, preguiçosas e não lutam pela vida.
Nas recordações da infância de Camus estão as mais belas descrições de sua terra – a Argélia – e tantas outras esclarecedoras:
“(...) fui colocado a meio caminho entre a miséria e o sol. A miséria impediu-me de acreditar que tudo vai bem sob o sol e na história; o sol ensinou-me que a história não é tudo”. “De qualquer forma, o belo calor que reinou sobre minha infância privou-me de qualquer ressentimento. Eu vivia na adversidade, mas, também, numa espécie de gozo. Sentia em mim forças infinitas: bastava, apenas, encontrar seu ponto de aplicação. Não era a miséria que colocava barreiras a essas forças: na África, o mar e o sol nada custam. A barreira está mais nos preconceitos ou na burrice”. (p.18 e 19)

• CAMUS, Albert. O avesso e o direito. Trad.Valerie Rumjanek. Rio: Record,1995.